O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a entidade estava preocupada com as mudanças nas vacinas aplicadas a crianças nos EUA, afirmando que elas “não estão alinhadas com a melhor evidência científica”, nesta quarta-feira (12 de agosto), dois dias após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva sobre o tema.
A ordem determina a redução do número de vacinas infantis, limitando o calendário de imunização a 11 vacinas. Trump afirmou que a medida dará às crianças americanas uma proteção de “padrão-ouro” e alinhará o país a outras nações semelhantes que recomendam menos vacinas.
A ordem atende a um objetivo de longa data do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., um ativista antivacinação que promoveu uma relação entre vacinas e autismo, hipótese repetidamente refutada por cientistas. O texto também recomenda dividir a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral, ou MMR) em três doses aplicadas em consultas separadas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que décadas de evidências demonstram em que idade a vacinação infantil é mais eficaz e que atrasar ou separar as doses pode expor as crianças a um risco maior de doenças infecciosas.
“A evidência atual é inequívoca. As vacinas, incluindo a vacina MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola), são seguras e não causam autismo”, disse Tedros.
Médicos também rejeitaram amplamente a medida, afirmando que não há novas evidências científicas que justifiquem uma mudança e que o calendário de vacinação dos EUA é baseado em décadas de estudos e nas necessidades específicas de saúde da população americana. Eles também rejeitaram a comparação com outros países. Segundo os médicos, a redução do número de doses recomendadas deixará mais crianças expostas a doenças que podem ser prevenidas.

