Fontes do Palácio do Planalto afirmam que a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos representa uma nova tentativa de interferência nas eleições presidenciais do Brasil. O governo brasileiro também descartou aceitar a indicação de Donald Trump para a embaixada americana no Brasil antes de outubro, optando por deixar a decisão para depois do pleito eleitoral. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema ao CNN 360°.
Para Fernanda Magnotta, o episódio precisa ser compreendido a partir de múltiplas camadas. A primeira delas é de natureza político-ideológica e diz respeito à articulação entre grupos da direita internacional que entendem ser vantajoso estarem no poder simultaneamente, a fim de implementar agendas comuns — discutidas previamente em conferências e encontros ao redor do mundo.
Brasil como peça estratégica
A segunda camada identificada por Magnotta envolve o peso específico do Brasil no cenário global. Segundo a analista, trata-se da maior economia da América Latina e da segunda maior democracia do mundo em número de eleitores, além de um país com presença ativa em plataformas multilaterais como o G20 e o BRICS.
“O Brasil é grande demais para que se seja indiferente”, afirmou Magnotta. A analista destacou ainda o potencial estratégico do país nas áreas energética, tecnológica, de segurança alimentar e como potência agrícola.
Há também uma dimensão regional relevante: o Brasil, por sua influência sobre outros países da América Latina, tem capacidade de moldar posicionamentos em votações e arranjos de integração regional.
Quanto mais alinhado o governo brasileiro estiver aos Estados Unidos, maior seria a capacidade de Washington de gerenciar a região, segundo a análise.
Competição com a China no centro do cálculo
O elemento central de toda essa equação, de acordo com Magnotta, é a competição estratégica entre os Estados Unidos e a China, que se manifesta também no subcontinente latino-americano.
Washington enxerga a América Latina como um palco dessa disputa e, portanto, tem interesse em conter a influência de Pequim na região — especialmente em áreas como investimentos, cadeias produtivas, tecnologia, infraestrutura e, sobretudo, minerais críticos e terras raras.
“Hoje não se trata apenas de trumpismo alinhado a bolsonarismo”, avaliou Magnotta.
Além do componente ideológico, há, segundo ela, um cálculo pragmático por parte dos Estados Unidos: “qual eventual administração poderia ser mais hostil à presença chinesa aqui na região e qual, portanto, seria mais propensa a um alinhamento às prioridades de Washington”.

