A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã prometeu retaliar os Estados Unidos após uma série de ataques americanos contra dezenas de posições iranianas em vários pontos do país. Teerã anunciou ainda que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado, em uma declaração que agrava ainda mais as tensões na região.
O analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, explicou que os ataques norte-americanos foram descritos pelos próprios militares dos Estados Unidos como uma retaliação explícita às ações iranianas de quarta-feira (29), que incluíram um ataque a uma base militar americana na Jordânia e outras tentativas de ataque contra bases no Oriente Médio.
Além disso, o Irã havia atacado três navios que tentavam passar pelo Estreito de Ormuz.
Ciclo de escalada entre Irã e Estados Unidos
De acordo com Américo Martins, o conflito segue um padrão preocupante de escalada cíclica: um lado ataca, o outro responde com ameaças e retaliações ainda mais severas. Após um breve período de relativa trégua, quando os Estados Unidos suspenderam temporariamente os bombardeios contra o Irã, o ciclo de violência foi retomado com os ataques iranianos.
Agora, seguindo esse mesmo padrão, é a vez do Irã fazer novas ameaças, declarando que vai intensificar os ataques contra os americanos e manter o Estreito de Ormuz sob seu controle.
Expansão do conflito para novos territórios
O tabuleiro geopolítico se tornou ainda mais complexo com o registro de ataques com drones contra dois navios ancorados em um porto no Mediterrâneo, no Egito — país que até então estava completamente fora do conflito.
As autoridades egípcias confirmaram que os dois navios foram atingidos, sendo um deles de propriedade americana. A origem dos drones ainda não foi oficialmente identificada, mas há a possibilidade de que os ataques tenham sido realizados por milícias ligadas ao Irã.
Além disso, a Arábia Saudita entrou no conflito pela primeira vez, bombardeando posições de milícias pró-Irã no Iraque. A combinação entre a escalada retórica e militar e a expansão geográfica do conflito é apontada como parte de uma estratégia iraniana para ampliar as frentes de combate e aumentar a pressão sobre o presidente Donald Trump, buscando obter concessões favoráveis ao Irã.
No entanto, diante da resposta igualmente escalada dos Estados Unidos, o resultado tem sido mais destruição, mais mortes e mais ataques, além do impacto econômico gerado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

