O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi sorteado para ser relator de ação na qual a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, afirma que existe uma rede coordenada de perfis no Instagram e TikTok para atacar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A representação acusa parlamentares e figuras públicas de usarem inteligência artificial (IA) para degradar a imagem do presidente Lula e de seus aliados políticos.
Entre os integrantes da rede de desinformação, segundo alega a federação, está o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os deputados federais Mario Frias, Gustavo Gayer e Gilvan da Federal, além do pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho, todos do PL, também são acusados de propagarem as informações.
Na acusação, os partidos sustentam que esses políticos atuam como “propulsores” de conteúdos produzidos originalmente por perfis anônimos, conferindo legitimidade institucional a materiais sintéticos e ofensivos.
Comportamento Inautêntico
Em investigação apresentada junto à representação, o PT aponta que a rede usa o recurso nativo de collab do Instagram para multiplicar o alcance das postagens de forma artificial.
Segundo argumenta, foram identificados pelo menos 31 perfis anônimos que, somados aos seguidores das autoridades públicas, atingem um universo de mais de 10 milhões de pessoas.
O documento técnico classifica a estratégia como astroturfing ou “comportamento inautêntico coordenado”.
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Segundo a representação, a coordenação não é apenas uma coincidência de compartilhamento, mas um padrão técnico onde perfis autorizam mutuamente a publicação simultânea de conteúdos para dominar o debate público digital.
Ataques via IA e Jingles no TikTok
A denúncia detalha ainda que os materiais focam em temas como corrupção, criminalidade e ridicularização pessoal de Lula. Um dos perfis da rede é citado como articulador de intercâmbio de publicações com outros 25 colaboradores.
No TikTok, a federação identificou o uso de trilhas sonoras (“jingles”) ofensivas que servem de base para milhares de vídeos.
Um único áudio, intitulado “LULA É BANDIDO”, foi usado em mais de 53,7 publicações, acumulando milhões de visualizações.
Monetização
Um dos pontos mais graves ressaltados na ação é a monetização do possível ilícito eleitoral. De acordo com as provas apresentadas, a página “Narrativas Curiosas” usa os vídeos de ataque como “isca” para vender cursos de criação de conteúdo com IA, hospedados na plataforma Kiwify e vinculados à empresa “Escola da IA”.
Além da venda de cursos, os perfis pedem doações diretas via Pix e criptomoedas.
Pedidos
Diante do exposto, a Federação Brasil da Esperança pede ao TSE, em caráter liminar:
- A remoção imediata de todos os URLs e jingles identificados no Instagram e TikTok
- A quebra de sigilo para identificar os proprietários dos perfis anônimos
- A suspensão da monetização das contas envolvidas
- A aplicação de multas individuais no patamar máximo legal para os parlamentares e demais envolvidos
A ação cita como embasamento do pedido resoluções recentes do TSE que proíbem o uso de deepfakes para prejudicar candidaturas e exigem a rotulagem clara de qualquer conteúdo gerado por inteligência artificial.

