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Empresas do agro correm contra o tempo para atenuar custo de tarifa dos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 9 horas)
Empresas do agro correm contra o tempo para atenuar custo de tarifa dos EUA

As empresas brasileiras afetadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos têm poucos dias para tentar reduzir os impactos da medida antes que ela entre em vigor, na próxima quarta-feira, 22 de julho. Situação mais célere entre as companhias do agronegócio.

A partir dessa data, a cobrança será aplicada integralmente sobre toda mercadoria que ingressar em território americano, tornando a antecipação de embarques a principal estratégia de curto prazo para exportadores.

Segundo o advogado tributarista Rafael Pandolfo, especialista em direito econômico e empresarial pela FGV, a janela de adaptação é bastante limitada. “Os sete dias entre o anúncio e o início da vigência servem praticamente para antecipar embarques”, afirma ao CNN Agro.

Há apenas uma exceção prevista na regra americana. Mercadorias que já tiverem iniciado o trânsito internacional antes de 22 de julho e forem nacionalizadas nos Estados Unidos até 29 de julho ficam isentas da nova tarifa.

Embora o tributo seja recolhido pelo importador americano, Pandolfo explica que o impacto financeiro tende a chegar rapidamente às empresas brasileiras.

“Esse custo naturalmente acaba sendo transferido ao exportador brasileiro, seja por renegociação de preços, seja pelo cancelamento de pedidos, produzindo efeito imediato no caixa dos setores atingidos“, exemplifica.

Corrida por novas exceções

Depois da entrada em vigor das tarifas, a principal frente de atuação das empresas deve ser jurídica e diplomática, com foco no próprio governo americano.

De acordo com Pandolfo, o caminho mais eficaz é apresentar pedidos de exclusão tarifária diretamente ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), preferencialmente em parceria com importadores americanos.

O especialista lembra que esse mecanismo já produziu resultados. Em novembro de 2025, mais de 200 produtos agrícolas foram retirados da lista de sobretaxação após pressão de empresas e consumidores preocupados com a inflação de alimentos nos EUA.

No Brasil, outra possibilidade é pressionar o governo federal para utilizar a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/2025), como já sinalizaram representantes da ala governista. Mesmo assim, Pandolfo avalia que uma resposta baseada em retaliação comercial exige cautela.

“Uma reação dessa natureza pode provocar uma resposta ainda mais contundente dos Estados Unidos. O apoio governamental aos setores atingidos me parece uma alternativa mais segura para evitar uma escalada das tensões”, ressalta.

Já a abertura de uma disputa na OMC (Organização Mundial do Comércio) permanece como opção formal, mas com baixa perspectiva de resultados práticos, diante da paralisação do Órgão de Apelação desde 2019.

Efeito nos preços

Apesar das preocupações de analistas sobre possíveis reflexos nas cadeias de alimentos, Pandolfo avalia que os mecanismos previstos na própria legislação americana reduzem o risco de uma alta expressiva dos preços para o consumidor dos EUA.

Segundo ele, a Seção 301 autoriza o USTR a ampliar ou revisar a lista de exceções sempre que houver necessidade. Foi esse instrumento legal que preservou produtos considerados sensíveis para a inflação americana, como carne bovina, café e suco de laranja.

No mercado brasileiro, o efeito pode seguir direção oposta no curto prazo. “Se determinados produtos perderem espaço no mercado americano, parte dessa oferta pode permanecer no Brasil, aumentando a disponibilidade doméstica e pressionando os preços para baixo“, afirma.

Na avaliação do especialista, o comportamento das tarifas nas próximas semanas dependerá menos da entrada em vigor da medida e mais da capacidade de negociação dos setores afetados junto às autoridades americanas, que ainda podem rever ou ampliar a lista de exceções após o início da cobrança.