Quase dois terços de toda a área queimada no Brasil voltaram a pegar fogo ao menos uma vez nos últimos 41 anos, é o que revela a nova edição do Relatório Anual do Fogo, divulgada pelo MapBiomas nesta terça-feira (21/7). Pela primeira vez, o estudo, que atualiza o mapeamento das áreas queimadas até 2025, estima o intervalo entre as ocorrências de fogo em uma mesma área.
Segundo o levantamento, 64% de toda a área atingida pelo fogo, entre 1985 e 2025, queimou mais de uma vez. Além disso, 71,5% da área queimada no período corresponde à vegetação nativa.
Os dados mostram ainda que, em 52% das áreas com recorrência, o fogo retorna em um intervalo de até quatro anos.







Em nota divulgada no domingo (29/9), o CBMDF disse que as chamas tiveram início na região do Jardim Botânico, próximo ao Aeroporto de Brasília
Divulgação/ CBMDFNo Pantanal, as alterações climáticas aumentaram em cerca de 40% o número de incêndios florestais observados em junho.
Agência Brasil/ Jader Souza/AL RoraimaMultas de queimadas criminosas em São Paulo somam mais de R$25 milhões
Divulgação/ Governo de SPQueimadas
Ernesto Carrico/NurPhoto via Getty ImagesOnça-pintada Miranda, encontrada com as quatro patas queimadas no Pantanal
Operação Pantanal/Governo MSAnta ferida, encontrada na região de Bonito (MS)
Operação Pantanal/Governo MSTratamento com uso de ozônio para recuperar a integridade das patas da onça-pintada
Operação Pantanal/Governo MSA Amazônia concentra os menores intervalos entre os eventos. No bioma, 31,6% da área queimada volta a pegar fogo em até dois anos, indicando que a vegetação tem cada vez menos tempo para se regenerar.
Segundo Luiz Felipe Martenexen, pesquisador da equipe MapBiomas Fogo e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o cenário aumenta a vulnerabilidade da floresta.
“Na Amazônia, onde a vegetação não é adaptada ao fogo, intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação da floresta e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes. Esse processo pode comprometer progressivamente a regeneração e tornar a floresta cada vez mais vulnerável ao fogo”, explica.
O Cerrado, por sua vez, é o bioma com a maior proporção de áreas que queimaram repetidamente. Desde 1985, 66% de toda a área atingida pelo fogo no bioma registrou mais de uma ocorrência.
De acordo com Vera Laísa Arruda, pesquisadora do Ipam e integrante das equipes MapBiomas Cerrado e MapBiomas Fogo, embora o Cerrado seja naturalmente adaptado ao fogo, a frequência atual dos incêndios pode superar a capacidade de regeneração da vegetação.
“No Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma”, afirma.
Estados e municípios mais afetados
- Em nível estadual, 47% de toda a área queimada no Brasil, desde 1985, está concentrada em apenas três estados.
- São eles: Mato Grosso (45,1 milhões de hectares), Pará (31,6 milhões) e Maranhão (20,7 milhões).
- Já no recorte municipal, 11% de toda a área queimada do país está concentrada em apenas 15 municípios.
- Os líderes são Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA).
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Severidade do fogo
Outra novidade do Relatório Anual do Fogo de 2025 é o índice de severidade potencial, que estima o impacto das queimadas sobre a vegetação em cinco níveis: baixa, moderada, alta, muito alta e extrema.
Segundo o estudo, 64% da área queimada no Brasil apresenta severidade potencial baixa ou moderada. Em contrapartida, nos biomas Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, as classes de severidade alta e muito alta já representam metade ou mais da área atingida pelo fogo.
Área queimada no Brasil caiu 31% em 2025
O relatório mostra ainda que 12,7 milhões de hectares foram queimados no Brasil em 2025, o equivalente a cerca de 1,5% do território nacional. O número representa uma redução de quase 50% em relação a 2024 e fica 31% abaixo da média histórica, de 18,4 milhões de hectares por ano.
Segundo o estudo, a queda foi impulsionada principalmente pela Amazônia. Um ano após registrar a maior área queimada da série histórica — 15,8 milhões de hectares em 2024 —, o bioma contabilizou 3,1 milhões de hectares queimados, a menor extensão registrada desde o início da série, em 1985.
Apesar da redução, Amazônia e Cerrado continuam concentrando 86% de toda a área queimada no país nos últimos 41 anos.
O Cerrado também registrou retração em relação à média histórica, mas permaneceu como o bioma mais afetado pelo fogo em 2025. Foram 8,7 milhões de hectares queimados, com média anual de 9,6 milhões de hectares — a maior entre todos os biomas brasileiros.
Já o Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas: 121 mil hectares queimados, uma queda de 85,6% em relação à média histórica e a menor área registrada no bioma em toda a série.
A Caatinga foi o único bioma a registrar área queimada acima da média histórica em 2025, com 505 mil hectares atingidos pelo fogo.

