Uma nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor na quarta-feira (22), às 00h01 no horário da Costa Leste americana, equivalente a 01h01 no horário de Brasília. O analista de Economia da CNN Gabriel Monteiro avalia, ao Bastidores CNN, que um quinto das exportações brasileiras será tarifado.
Com a medida, o Brasil passa a figurar entre os países mais taxados pelos americanos, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais afetadas.
Segundo o analista, cerca de US$ 8 bilhões em fluxo de exportações para os Estados Unidos sofrerão a sobretaxa de 25%, embora esse valor tenda a diminuir ao longo do ano em razão da redução esperada no volume de comércio.
Setores isentos e produtos mais afetados
Nem todos os produtos brasileiros exportados para os EUA serão igualmente impactados. As aeronaves estão isentas das novas tarifas — a Embraer, por exemplo, exporta aeronaves e peças para os Estados Unidos, o que representa cerca de US$ 3 bilhões por ano.
Além disso, aproximadamente US$ 20 bilhões em exportações continuam sem qualquer tarifa, incluindo petróleo bruto e café, que representam a maior parte do fluxo comercial entre os dois países.
Há ainda uma categoria de produtos enquadrados na chamada Seção 232, que inclui aço, madeira, carros e cobre. Esses itens estão sujeitos a tarifas que variam de 25% a 50%, mas que se aplicam de forma igual a todos os países, sem prejudicar especificamente a competitividade brasileira no mercado internacional.
Próximas tarifas e comportamento dos estados
Gabriel Monteiro destacou ainda que as próximas rodadas de tarifas, ainda a serem decididas, vão além dos 25% e podem ter caráter cumulativo. “As próximas tarifas podem ter uma lista de exceções diferente daquela que a gente recebeu na semana passada”, afirmou.
Segundo ele, as isenções concedidas a produtos brasileiros se justificam porque são itens que os Estados Unidos necessitam e que encareceriam para os consumidores americanos caso fossem taxados.
O segundo ponto levantado pelo analista é o comportamento dos governos estaduais diante do atual cenário. Monteiro observou que, em comparação com o episódio tarifário do ano passado, houve uma redução no número de estados que adotaram medidas de apoio ao empresariado.
No ano anterior, sete estados — São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará e Goiás — anunciaram linhas de crédito, antecipação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) ou benefícios fiscais.
“Não houve grandes movimentações desta vez com as tarifas de 25%”, ressaltou, destacando especialmente a ausência de São Paulo e Santa Catarina, apontados pela Apex como os estados mais afetados pelas novas medidas.

