Daniella Marques, coordenadora de propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, defendeu em entrevista ao CNN 360° que a PEC da Reforma Tributária planejada pela equipe do pré-candidato à Presidência irá cortar gastos, mudar a governança do país e reorganizar a estrutura do Estado.
Segundo ela, a proposta se apoia em três pilares fundamentais: governança, mecanismos de controle da trajetória da dívida e corte de despesas.
Daniella destacou que Flávio Bolsonaro já assumiu publicamente o compromisso de colocar as contas em ordem como prioridade máxima de um eventual governo. “O dever de casa número um vai ser colocar as contas em ordem e recuperar a credibilidade do Brasil“, afirmou.
Ela ressaltou que a intenção é utilizar o capital político do início do mandato para aprovar as medidas necessárias ainda no período de transição.
Credibilidade fiscal e sinal ao mercado
Ao ser questionada sobre o que o próximo governo precisaria fazer para reconquistar a confiança do mercado financeiro, Daniella foi enfática ao avaliar o cenário atual como crítico. Ela citou um leilão recente de títulos públicos no qual, mesmo com juros reais acima de 8%, não houve demanda suficiente.
“Quando nem acima de 8% ninguém quer financiar esse governo, significa que está perdendo a crença de que haverá capacidade de pagamento”, declarou. Para ela, isso é um sinal técnico, e não apenas político, de que o governo atual perdeu credibilidade perante os credores.
A coordenadora defendeu que a solução passa por um “choque de credibilidade”, com um ajuste fiscal logo no início do governo.
“A ideia é reancorar as expectativas, dar um choque de credibilidade, fazer um ajuste de largada e a própria curva vai fazer uma parte do trabalho a hora que você recupera a credibilidade”, explicou.
Ela também criticou o arcabouço fiscal vigente, classificando-o como “inócuo”, e apontou a necessidade de reconstrução da gestão dos ativos da União.
Enxugamento da máquina pública
Daniella Marques criticou duramente a estrutura administrativa atual, apontando o excesso de ministérios e a ausência de um centro de serviços compartilhados na esplanada dos ministérios.
“Não é razoável você ter 40 ministérios, cada um com um RH, com um centro de viagem, com um de compra”, afirmou.
Ela comparou a situação com empresas do setor privado que, mesmo atuando em múltiplos estados, operam com estruturas centralizadas e eficientes, e mencionou que a inteligência artificial poderia contribuir para essa modernização.
Além disso, a coordenadora apontou a existência de carreiras consideradas obsoletas no funcionalismo público, como “assoprador de vidro, datilógrafo e ascensorista”. Para ela, o governo deve ser encarado como um gestor de recursos de terceiros.
“Não existe dinheiro de Estado. Existe dinheiro do pagador de imposto e patrimônio dos brasileiros”, declarou, defendendo a retomada do que chamou de “espírito público” na gestão dos recursos.
Reforma tributária: suspensão temporária e revisão
Sobre a reforma tributária já aprovada, Daniella esclareceu que Flávio Bolsonaro não pretende revogá-la, mas sim promover uma suspensão temporária para realizar ajustes.
Segundo ela, o modelo do IVA em si não é o problema, mas a implementação gerou complexidade excessiva. “Foram criadas uma reforma que tinha a intenção de simplificar a estrutura. Ela tem tantas exceções e tantas páginas de regras acessórias e uma transição tão longa que ela mais complicou do que resolveu”, avaliou.
Daniella também alertou para o impacto da alíquota prevista, que segundo ela pode chegar entre 26% e 30%, penalizando especialmente o setor de serviços, que considera o maior gerador de empregos do país.
Ela informou que um grupo técnico de tributaristas e especialistas está trabalhando na revisão da proposta, com o objetivo de garantir previsibilidade aos empresários e simplificar o sistema produtivo. “O objetivo é uma simplificação e uma viabilização para que aí sim você tenha um sistema mais eficiente, mais simplificado para os empresários, para o setor produtivo”, concluiu.

