Após debaterem com autoridades norte-americanas a investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil, interlocutores do setor privado acreditam na possibilidade de que a lista de itens isentos de um possível novo tarifaço seja expandida.
O que porta-vozes da indústria ouvidos pelo CNN Money apontam é que, considerando o debate e argumentos técnicos levantados, há possibilidade de que produtos sejam excluídos da taxação e seja considerada a correção de alguns regimes.
Isso porque as discussões desse segundo dia centraram-se no impacto que o tarifaço poderia causar aos EUA.
Aumento de custos, impacto na cadeia produtiva, competição com produtos norte-americano e fontes de suprimento alternativo de outros países foram alguns dos tópicos de interesse das autoridades dos EUA e dos interlocutores ouvidos.
Questionado sobre a possibilidade de seus produtos serem substituídos, Fabio Cruz, vice-presidente da Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais), foi enfático na resposta ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
“Existe em outros lugares do mundo, mas não com a geodiversidade, estética e confiabilidade que o Brasil fornece aos Estados Unidos“, pontuou Cruz.
Segundo a Centrorochas, o Brasil é o principal fornecedor de rocha natural para os EUA, sendo que a produção é de produtos semi-acabados, como chapas que são utilizadas de insumos para a indústria norte-americana, que fabrica, recorta e instala produtos para casas e projetos comerciais a partir daquela matéria-prima.
“É uma cadeia extremamente integrada com os Estados Unidos”, ressaltou Cruz.
No caso de Homero Busnello, diretor de Relações Institucionais da Tecumseh, o executivo buscou sublinhar a relação intercompany de sua empresa, cuja matriz é nos EUA.
“Estamos sendo taxados ao exportar para a matriz que faz o complemento de industrialização e vende na ponta final, […] é uma tarifa dentro do próprio grupo, prejudicando a empresa que emprega e trabalha nos Estados Unidos”, relatou Busnello à reportagem.
Os interlocutores relatam ainda que, apesar de a maioria dos participantes da audiência terem defendido o Brasil contra o tarifaço, haviam produtores locais favoráveis à aplicação da tarifa.
Contudo, Busnello contou que, ao serem questionados sobre a capacidade de suprirem a demanda norte-americana caso o fornecimento brasileiro fosse interrompido, os contrários ao Brasil desviavam a resposta.
Para o diretor da Tecumseh, a impressão que fica é positiva, mas, assim como os outros interlocutores, reconhece que isso não quer dizer que todos os setores serão contemplados por uma redução tarifária.
Pela dinâmica técnica do debate, acreditam que alguns casos podem ser reavaliados. Mas a decisão final é difícil de mudar, uma vez que passa pela Casa Branca e depende da negociação com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da caneta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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