Os preços futuros do café arábica registraram fortes valorizações na sessão desta terça-feira (30) na bolsa de Nova York. O avanço das cotações está sendo impulsionado pelo atraso da colheita do grão nas principais regiões produtoras no Brasil.
O vencimento com entrega para setembro fechou com ganho de 6,71% e cotado em US$ 2,96 por libra-peso.
De acordo com o diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, o atraso na colheita e as chuvas registradas durante os trabalhos no campo têm afetado a cafeicultura em diferentes aspectos. Além de dificultarem o avanço da colheita, as precipitações comprometem a secagem dos grãos nos terreiros e podem reduzir a qualidade da bebida do chamado “café chuvado”.
Bonfá também afirma que há diversos relatos de produtores indicando uma renda menor — ou seja, um menor volume de café beneficiado obtido após o processamento — em comparação com a safra passada. Esse cenário reforça a possibilidade de uma produção inferior às estimativas mais recentes do mercado.
O consultor destaca ainda que as previsões meteorológicas mantêm o setor em alerta. A sequência de frentes frias, comum nesta época do ano, segue chegando com intensidade, aumentando a preocupação com a ocorrência de geadas. Além disso, o fortalecimento do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas acima da média durante o verão, o que representa um risco para a florada dos cafezais e, consequentemente, para a safra de 2027.
Na avaliação de Bonfá, outro fator que pode sustentar os preços é a postura do produtor. Com maior capitalização financeira, muitos cafeicultores não têm necessidade imediata de comercializar a produção e podem optar por aguardar momentos mais favoráveis de mercado.
Cacau
As preocupações com a próxima safra na África Ocidental também impulsionaram os contratos futuros do cacau na Bolsa de Nova York, em que o contrato do cacau para entrega em setembro fechou com queda de 2,23% e precificado em US$ 5.078 por tonelada.
Segundo o Barchart, os preços do cacau estão subindo nesta sessão, consolidando-se logo abaixo das máximas de 5,5 meses atingidas na última quinta-feira. Os preços do cacau subiram acentuadamente nas últimas duas semanas, com alta de mais de 20%, atingindo as máximas de 5,5 meses na última quinta-feira.
O Barchart ainda destacou que as fortes chuvas na Costa do Marfim e em Gana inundaram estradas e cortaram o acesso dos agricultores às fazendas e aos portos, ameaçando o abastecimento global. “O acumulado de chuvas em junho até a última segunda-feira já atingiu níveis próximos à média típica para todo o mês em ambos os países. O excesso de umidade também aumenta o risco de podridão parda e podridão negra nos cacaueiros, reduzindo a produtividade e comprometendo a colheita”, comentou.
Açúcar
O contrato futuro do açúcar para entrega em outubro finalizou a sessão precificado em 14,82 centavos de dólar a libra-peso e teve um leve ganho de 0,27%.
O Barchart ainda destacou que os preços do açúcar fecharam em alta pela quarta sessão consecutiva nesta sessão, com o açúcar em Nova York atingindo o maior valor em seis semanas.
“Os preços do açúcar estão subindo em meio a preocupações de que as fracas chuvas de monção na Índia reduzam a produção de açúcar e diminuam a safra de cana-de-açúcar do país, a segunda maior do mundo”, informou.
Algodão
Já no caso do algodão, o contrato futuro para entrega em dezembro fechou com ligeiro avanço de 0,46% e precificado em 76,80 centavos de dólar a libra-peso.
De acordo com as informações do Barchart, os contratos futuros de algodão apresentam ganhos modestos nesta terça-feira, apesar do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ter divulgado nesta manhã um número de hectares plantados maior do que o esperado.
O relatório anual de área plantada em junho mostrou que a área total cultivada com algodão nesta primavera foi de aproximadamente 3,99 milhões de hectares, número superior às estimativas do mercado, de 3,88 milhões de hectares, e também acima da projeção divulgada em março, que era de 3,90 milhões de hectares.
Suco de laranja
O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com valorização de 6,44%, com o contrato fechando negociado a US$ 1,65 por libra-peso.
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