Um dos presos no último sábado (20) por envolvimento no caso de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, que morreu após ser lançada em um salto de rope jump, retirou a câmera que estava presa a jovem logo após o acidente. O episódio aconteceu em Limeira, no interior de São Paulo, no último dia 14 de maio.
A informação consta nos dois inquéritos instaurados pela Polícia Civil, um deles já concluído e encaminhado a Justiça paulista.
Ao todo, 22 testemunhas foram ouvidas na investigação. Entre os relatos, há a informação de que o envolvido teria retirado o equipamento logo após o óbito de Maria Eduarda, mas ele nega.
A câmera era utilizada por todos os participantes do salto que tinham o intuito de gravar a atividade esportiva. Até o momento, a de Maria Eduarda não foi encontrada. Segundo as autoridades policiais, as diligências seguem para tentar localizar o equipamento.
Os últimos presos envolvidos no caso também possuíam ligação com a empresa Entre Cordas, companhia procurada por Maria Eduarda para realizar o salto. Entre eles, está uma mulher de 29 anos e dois homens, de 25 e 27 anos.
Anteriormente, outros três homens — instrutores responsáveis por lançar a vítima da ponte —, já haviam sido detidos. Eles tiveram o habeas corpus negado e foram indiciados por homicídio doloso qualificado, quando não há intenção de matar, mas se assume o risco de morte.
Relembre o caso
Segundo as investigações, a jovem contratou a empresa Entre Cordas para realizar a atividade esportiva, mas foi lançada pelos funcionários de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar presa aos equipamentos de segurança.
Em depoimento à polícia, o trio não conseguiu explicar como ocorreu a falha. A Justiça de São Paulo classificou o caso como negligência e converteu as prisões deles em preventivas.
Fuga, desaparecimento de câmera e falta de autorização
Segundo o juiz, durante a perícia, a polícia constatou que Maria Eduarda não estava mais com a câmera utilizada para registrar a atividade. Na avaliação do magistrado, o desaparecimento do equipamento podia indicar uma tentativa de ocultação de provas.
Além disso, segundo os autos, quando um dos policiais se afastou para prestar apoio ao resgate, os três funcionários da empresa fugiram em direção a uma área de vegetação próxima.
O juiz também destacou que os suspeitos tentaram deixar o local após o acidente, comportamento que, segundo ele, demonstra risco de obstrução das investigações.
Outro fator considerado pela Justiça foi o fato de os investigados exercerem a atividade de forma habitual, o que poderia representar risco de novos casos se eles permanecessem em liberdade.
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), informou ainda que a empresa responsável pela atividade não possuía autorização para realizar operações esportivas na Ponte do Esqueleto.
Após a tragédia, o Governo Federal passou a estudar a possibilidade de demolir a estrutura. Em reunião com representantes do MGI, a prefeita de Cordeirópolis e o prefeito de Limeira afirmaram que os municípios já adotam medidas para restringir o acesso à ponte e manifestaram apoio à demolição da estrutura.
Outro lado
A defesa de um dos presos no sábado (20), representado pelo advogado Vitor Aurélio, informou que o homem “não participou ativamente do arremesso” e “prestou socorro à vítima”. Leia nota abaixo:
“A defesa entende que a prisão é ilegal. Há um rol taxativo para que seja determinada a prisão temporária, ou seja, esta só poderá ocorrer nos casos em que a lei determinar, tal como crime doloso contra a vida. No caso, ele não praticou nenhum homicídio, tendo em vista que ele ficava embaixo da ponte e sua função iniciava apenas após o salto, sendo responsável por retirar o equipamento da pessoa.
Portanto, não participou ativamente do arremesso, inexistindo qualquer ingerência. Inclusive, a defesa esclarece que ele confirmou a presença da câmera corporal do acidente e que esta seria de suma importância para esclarecer que ele efetivamente prestou socorro à vítima.”
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos outros envolvidos. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de AR.

