O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) divulgou, nesta terça-feira (23), a ata referente à reunião dos dias 16 e 17 de junho.
O documento esclareceu informações sobre o horizonte relevante da política monetária e o cenário inflacionário, temas que haviam gerado ruídos após a divulgação do comunicado na semana anterior.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avaliou que a ata foi significativamente mais esclarecedora do que o comunicado. “O comunicado gerou ruído”, afirmou.
Segundo ele, o BC conseguiu ser mais didático ao explicar a ideia de cenários alternativos, deixando claro que o horizonte relevante atual permanece no quarto trimestre de 2027 — referência citada ao menos três vezes ao longo do documento.
Sobre a questão fiscal, Gustavo Sung destacou que o balanço de riscos está assimétrico, com a inclusão de uma nova expressão pelo Banco Central relacionada a estímulos à demanda.
“Esses estímulos à demanda estão em linha com essa discussão fiscal, principalmente eleitoral”, disse.
Para ele, há um movimento contraditório em curso: de um lado, o BC tenta desacelerar a economia por meio da política monetária contracionista; de outro, estímulos fiscais tentam reacelerá-la.
É por isso, segundo Sung, que o Copom reforça repetidamente a necessidade de políticas fiscais e monetárias harmoniosas.
Piora das projeções inflacionárias
A tabela de projeções inflacionárias apresentou deterioração generalizada. O IPCA projetado para 2026 passou de 4,6% na ata anterior para 5,2%, enquanto a projeção para o quarto trimestre de 2027 subiu de 3,5% para 3,7%.
Gustavo Sung atribuiu essa piora a uma combinação de fatores, incluindo o conflito no Oriente Médio, a resiliência do setor de serviços ligada ao mercado de trabalho aquecido, riscos relacionados à formação do El Niño e a desancoragem das expectativas de inflação.
“O cenário inflacionário se deteriorou e temos riscos relevantes à frente”, afirmou.
Postura cautelosa e decisões futuras
Ao analisar o trecho final da ata, Gustavo Sung interpretou que o BC deixou uma “porta entreaberta”, sinalizando que os próximos passos na calibração da taxa de juros dependerão da incorporação de novas informações, especialmente sobre a extensão e os efeitos dos conflitos geopolíticos.
“Deixar o cenário aberto nesse momento de incertezas é o mais adequado no momento“, avaliou.
Para a próxima reunião, Sung projetou manutenção da taxa em 14,25%, com possibilidade de um ou dois cortes ao longo do final do ano, caso o cenário permita.
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