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EPE propõe R$ 5,7 bi em transmissão para cargas eletrointensivas no CE e PI

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) recomendou a implantação de uma nova estrutura de transmissão de energia para viabilizar a conexão de até 4 gigawatts (GW) de cargas eletrointensivas nas regiões de Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí.

O valor total de investimentos é R$ 5,68 bilhões em novas instalações de Rede Básica sendo R$ 1,09 bilhões recomendados para o ano inicial de análise (2032) e R$ 4,59 bilhões com recomendação condicionada a correspondentes montantes de carga, à medida que eles forem se concretizando ao longo do tempo.

Ao todo, a estatal avaliou 12 alternativas de expansão da rede básica, combinando diferentes reforços entre os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. A alternativa escolhida, denominada 3D, apresentou o menor custo global e o melhor desempenho elétrico entre as opções analisadas.

A proposta integra um estudo prospectivo elaborado a pedido do Ministério de Minas e Energia (MME) e tem como objetivo criar uma solução flexível e escalonável capaz de atender à crescente demanda de projetos de hidrogênio de baixa emissão de carbono e de data centers no Nordeste.

Segundo a EPE, a escolha de Pecém e Parnaíba foi baseada em uma análise que considerou pedidos de acesso à rede básica protocolados junto ao MME, a chamada pública para hubs de hidrogênio e a capacidade remanescente do sistema de transmissão. O levantamento mostrou que Ceará e Piauí concentram 22,1 GW em projetos protocolados, o equivalente a 58% de toda a demanda prevista para o Nordeste, além de apresentarem histórico de negativas de acesso por limitações elétricas e restrições relacionadas ao controle dinâmico de tensão.

O estudo aponta que apenas o Ceará reúne cerca de 15,2 GW em projetos de hidrogênio e data centers, enquanto o Piauí concentra outros 6,9 GW. Somados, os dois estados lideram a corrida pelos novos empreendimentos eletrointensivos na região. A EPE também destaca que os projetos estão geograficamente concentrados nas proximidades das subestações Pecém II e Parnaíba III, permitindo que uma mesma solução de transmissão atenda diferentes consumidores e reduza o risco de ociosidade dos investimentos.

A principal obra prevista é a implantação da nova Subestação Pecém IV em 500 kV, que funcionará como um hub para conexão dos futuros empreendimentos industriais no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). A subestação será conectada ao sistema por meio do seccionamento da linha de transmissão Pecém II–Sobral III e receberá as novas linhas que reforçarão a integração elétrica entre Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí.

A alternativa recomendada inclui ainda novas linhas de transmissão em 500 kV entre Açu III e Pecém IV, Angicos e Jaguaruana II, Jaguaruana II e Pecém IV, Pecém IV e Parnaíba III, além de reforços entre Parnaíba III e Tianguá II e entre Sol de Itaueira e Boa Esperança. Também está previsto o seccionamento da linha Pecém II–Pacatuba na Subestação Pecém III.

De acordo com a EPE, todas as alternativas estudadas permitem a conexão dos 4 GW adicionais já a partir de 2032, antecipando-se à entrada em operação do chamado Bipolo Nordeste II, solução estrutural de maior porte prevista para depois de 2034. A estatal ressalta que a estratégia foi concebida para ser implantada de forma gradual, condicionada à confirmação do interesse dos investidores por meio dos mecanismos criados pela Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), instituída em 2025.

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