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Brazilian Nickel rejeita barreira ao níquel asiático e prega livre comércio

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

Em meio ao debate sobre medidas de defesa comercial contra produtos asiáticos, a Brazilian Nickel defende que o Brasil não adote barreiras para restringir a entrada de níquel importado de países asiáticos. Para a companhia, que desenvolve um projeto de US$ 1,4 bilhão no Piauí, o caminho para fortalecer a indústria nacional passa por reformas que aumentem a competitividade do país e não por medidas protecionistas.

A posição contrasta com a defendida por parte da indústria brasileira. Nos últimos anos, setores como a siderurgia têm pressionado o governo federal por mecanismos de proteção diante do avanço das importações, especialmente da China. As empresas argumentam que a entrada crescente de produtos estrangeiros tem reduzido a competitividade da produção nacional.

No mercado de níquel, o cenário é marcado por uma forte sobreoferta global, provocada principalmente pela expansão da capacidade produtiva da Indonésia. O excesso de produção derrubou os preços internacionais e alimentou discussões sobre possíveis práticas de concorrência desleal e desvios de rota comerciais envolvendo mercados asiáticos.

Apesar desse contexto, o diretor financeiro da Brazilian Nickel, André Simão, afirmou que não vê o protecionismo como solução para os desafios enfrentados pela indústria brasileira.

Eu sou um defensor de um livre comércio e não acho que protecionismo é uma solução. Precisamos de reformas estruturais para fazermos com que o nosso mercado seja mais competitivo em relação ao mercado global”, disse em entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN.

Desvio de rota é oportunidade

O executivo também minimizou preocupações relacionadas ao chamado desvio de rota do níquel indonésio. Segundo agentes do mercado, parte da produção da Indonésia passa por outros países, especialmente a China, antes de chegar aos mercados consumidores.

Para Simão, a presença desse material no mercado europeu reflete principalmente a falta de oferta competitiva de produtores alternativos, e não um problema que deva ser enfrentado por meio de barreiras comerciais.

Na avaliação da companhia, a situação pode representar uma oportunidade para novos projetos fora da Ásia. A expectativa é que produtores brasileiros possam conquistar espaço à medida que aumentem a capacidade de fornecer níquel com qualidade, rastreabilidade e preços competitivos.

“No momento em que conseguimos entrar com níquel do jeito que atuamos e com a qualidade que já foi provada, vamos paulatinamente suprir este desvio de rota e esse consumo que é feito via Indonésia”, afirmou.

A posição da Brazilian Nickel surge em um momento em que governos e empresas de diversos países discutem formas de reduzir a dependência de cadeias de suprimento concentradas na Ásia para minerais considerados estratégicos para a transição energética. Enquanto parte da indústria defende mecanismos de proteção comercial, a empresa aposta que a ampliação da competitividade será suficiente para abrir espaço para a produção brasileira no mercado internacional.

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