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Caso Benício: Médica e técnica de enfermagem viram rés por morte de criança

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Caso Benício: Médica e técnica de enfermagem viram rés por morte de criança

A Justiça do Amazonas tornou rés a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia pela morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, em novembro de 2025, após a criança receber doses de adrenalina na veia, no hospital particular Santa Júlia, em Manaus.

Segundo a decisão, publicada nesta quarta-feira (3), as profissionais passam a responder por homicídio qualificado com dolo eventual, uma vez que assumiram o risco na aplicação das doses em Benício.

Em maio deste ano, um relatório da polícia concluiu que o menino veio à óbito por overdose de adrenalina.

Na denúncia feita pelo Ministério Público do estado, e aceita pela Justiça, Benício teve piora do quadro de saúde após Juliana emitir uma prescrição eletrônica para o uso do medicamento via intravenosa no paciente. A substância foi administrada na forma prescrita por Raíza Bentes, o que, segundo a denúncia, teria provocado a morte da criança.

Logo após receber as doses de adrenalina na veia, Benício apresentou sintomas de palidez, olhos protuberantes e se queixou de dores.

Além de se tornar ré por homicídio qualificado, a médica também foi denunciada por falsidade ideológica, uma vez que, de acordo com as investigações, a profissional chegou a usar carimbos e guias declarando possuir especialidade em pediatria, sem possuir RQE (Registro de Qualificação de Especialista).

No entanto, na decisão, o juiz Fábio César Olintho de Souza arquivou outras suspeitas envolvendo a profissional, por fraude processual e uso de documento falso. A Justiça ainda determinou o arquivamento parcial das investigações em relação a outros envolvidos (gestores do hospital e médicos plantonistas).

Segundo a Justiça, o magistrado também chegou a autorizar que os pais de Benício, Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier de Carvalho, atuem como assistentes de acusação, para que acompanhem o processo juntamente ao Ministério Público.

Na mesma decisão, o juiz ainda negou um pedido apresentado pela defesa de Juliana, para que houvesse mudanças na forma de apresentação das testemunhas levantadas pelo Ministério Público. De acordo com o magistrado, a premissa da defesa seria “equivocada”, uma vez que a relação de testemunhas estaria dentro dos parâmetros dos limites legais.

Após o recebimento da denúncia, a Justiça determinou que as rés sejam citadas para que apresentem resposta por escrito à acusação no prazo de dez dias. No entanto, caso elas não sejam localizadas, Juliana e Raiza deverão ser citadas por edital.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa das rés e o espaço segue aberto para manifestações.

Relembre o caso

Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu na madrugada do dia 23 de novembro de 2025, após receber a dose intravenosa de adrenalina.

Em entrevista à CNN Brasil em dezembro do ano passado, o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, detalhou os rumos da apuração e apontou falhas sistemáticas que teriam levado à morte da criança.

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