A China vem se consolidando como um dos principais vetores de demanda global por amido de mandioca, em um movimento que combina expansão da indústria de alimentos, busca por substitutos do milho e do trigo em processos industriais e, mais recentemente, a incorporação de critérios de sustentabilidade nas cadeias de suprimento.
No mercado asiático, a fécula de mandioca ganhou espaço em diferentes aplicações, que vão desde alimentos processados até usos industriais como papel, adesivos e embalagens biodegradáveis.
Esse avanço é impulsionado principalmente pelo crescimento do consumo interno chinês e pela necessidade de diversificação de matérias-primas diante da volatilidade de outras commodities agrícolas.
De acordo com o executivo Aleksandro Siqueira, diretor de novos negócios da Lorenz, a China hoje exerce papel central na formação da demanda global por derivados da mandioca.
“A China é um dos maiores compradores de fécula de mandioca do mundo. Eles utilizam esse produto em uma série de aplicações industriais e alimentícias, e isso tem impacto direto no mercado global”, afirmou.
O movimento chinês não se limita apenas ao aumento de consumo. Nos últimos anos, o país também passou a incorporar exigências ambientais mais rígidas, especialmente relacionadas ao uso de insumos de origem renovável e à redução da dependência de materiais fósseis em embalagens e processos industriais.
Segundo Siqueira, essa mudança tem sido determinante para o avanço da mandioca como matéria-prima estratégica. “A China está cada vez mais exigente em relação à sustentabilidade. Eles não olham mais só custo, mas também o impacto ambiental da cadeia produtiva. Isso favorece produtos como a mandioca, que têm origem vegetal e são renováveis”, explicou.
Esse novo posicionamento regulatório e industrial da China está diretamente ligado às metas ambientais do país, que incluem redução de emissões de carbono e ampliação do uso de materiais biodegradáveis em setores como embalagens, papel e indústria química leve.
Dentro desse contexto, o amido de mandioca passa a competir diretamente com derivados do milho e do trigo, além de substitutos petroquímicos utilizados na fabricação de plásticos e adesivos industriais. A versatilidade do produto e sua origem vegetal tornam o insumo brasileiro mais atrativo em um mercado que busca alternativas de menor impacto ambiental.
Siqueira destaca ainda que a demanda chinesa não deve apenas crescer em volume, mas também em exigência técnica e certificações. “O mercado chinês está evoluindo rapidamente. Não é mais só volume, eles querem rastreabilidade, qualidade e comprovação de sustentabilidade. Isso muda completamente o nível de exigência para os fornecedores globais”, afirmou.
A expansão da demanda chinesa ocorre em paralelo a um cenário global de restrição de oferta em grandes produtores asiáticos, como Tailândia e Vietnã, que enfrentam desafios climáticos e aumento de custos de produção. Esse movimento abre espaço para países como o Brasil, que vêm ampliando sua participação no comércio internacional de fécula de mandioca.
O Brasil, segundo o setor, tem se beneficiado dessa reorganização global por dois fatores principais: competitividade agrícola e alinhamento com exigências ambientais internacionais. A mandioca brasileira, por não ser transgênica e ter forte base em agricultura renovável, atende parte das novas demandas de mercados como o chinês.
“O Brasil está muito bem posicionado porque oferece um produto natural, com base agrícola forte e que atende às novas exigências ambientais globais. Isso é muito importante para mercados como a China”, disse Siqueira.
Além do crescimento no consumo tradicional de alimentos processados, a China também avança no uso de amidos vegetais em embalagens biodegradáveis e materiais industriais sustentáveis, substituindo gradualmente insumos derivados de petróleo. Esse movimento reforça a tendência global de transição para materiais de menor impacto ambiental.
Nesse cenário, a mandioca deixa de ser apenas uma commodity agrícola e passa a ocupar um papel estratégico dentro da transição industrial verde. A combinação entre demanda crescente, exigência por sustentabilidade e diversificação de aplicações coloca o mercado chinês como um dos principais motores do setor global de amidos nos próximos anos.
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