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Análise: Trump defende interesses dos EUA às custas de tarifas externas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Trump defende interesses dos EUA às custas de tarifas externas

A decisão do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) de propor tarifas de 25% ao Brasil representa mais um capítulo em uma sequência de tensionamentos crescentes entre os dois países. A analista de internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema

Magnotta destacou que se torna cada vez mais difícil separar a agenda doméstica da agenda externa dos países envolvidos.

“Cada vez mais fica difícil separar o que é a agenda doméstica, o que é inclusive a agenda eleitoral e de criação de legado daqueles que ocupam o poder nos países e o que eles constroem tentando projetar poder no exterior”, afirmou a analista.

Três frentes de tensão entre Brasil e Estados Unidos

Segundo Magnotta, a relação bilateral pode ser compreendida a partir de três grandes eixos.

O primeiro é a agenda econômico-comercial, marcada por uma postura protecionista dos Estados Unidos.

“O Brasil vai sendo enquadrado sob essa régua de que os Estados Unidos têm que defender o seu interesse nacional e também a sua reindustrialização às custas de tarifas externas”, explicou a analista.

O segundo eixo envolve a securitização de temas como imigração e combate ao crime organizado, que contamina a agenda externa americana.

O terceiro diz respeito à preocupação geopolítica com a presença chinesa na região e à dependência dos Estados Unidos em relação à China, sobretudo no que se refere a minerais críticos e terras raras.

Justificativas do relatório da USTR

O relatório da USTR apresenta uma série de justificativas para a proposta tarifária, incluindo críticas ao combate à corrupção no Brasil, ao desmatamento e até ao sistema de pagamentos instantâneos PIX.

Magnotta, porém, relativizou esses argumentos.

“Se fosse para fazer o caminho oposto e olhar para a realidade americana, daria para basicamente fazer a mesma coisa, acusar os Estados Unidos de basicamente as mesmas práticas”, disse, lembrando que o Federal Reserve já tentou implementar um sistema similar ao PIX nos Estados Unidos sem sucesso.

A analista também chamou atenção para um ponto específico do documento: ao tratar da questão ambiental e mencionar a moratória da soja, o relatório americano acaba, paradoxalmente, defendendo uma política do governo federal brasileiro que a direita local, em geral, não apoia.

“A ginástica é tão grande que, de vez em quando, ela inclusive contraria os interesses dos próprios aliados da direita americana”, pontuou Magnotta.

Tarifas devem ser sancionadas, avalia analista

Para Magnotta, não há surpresa na proposta da USTR, tanto do ponto de vista histórico quanto do momento atual.

A prática de impor sanções ou tarifas por meio desse mecanismo já foi adotada contra o Brasil anteriormente.

A analista afirmou ter poucas dúvidas de que as tarifas serão sancionadas.

“Que elas serão sancionadas, eu particularmente não tenho dúvidas. Donald Trump deve chancelar essa decisão, inclusive porque essa foi a estratégia usada pelo seu próprio governo para conseguir continuar aplicando tarifas”, avaliou.

O documento também prevê exceções para alguns setores, como o etanol, o que, segundo Magnotta, não é aleatório.

Na prática, os produtos excluídos são aqueles cuja taxação poderia pressionar a inflação nos Estados Unidos — algo que já ocorreu durante a aplicação de tarifas de 50%, quando itens como carne, frutas e suco de laranja geraram reação interna contra a administração Trump.

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