A irrigação cresceu nos últimos anos impulsionada pela busca dos produtores rurais por maior segurança nas produções em meio a imprevisibilidade climática. Apesar desse salto, o acesso ao crédito ainda representa um obstáculo significativo para o setor.
Em entrevista ao CNN Agro News desta segunda-feira (1), o CEO da Bauer, Luiz Alberto Roque, destacou três pilares fundamentais para ampliar os investimentos em irrigação: água, infraestrutura de energia e capital. “O financiamento ainda é um grande gargalo”, destacou.
Para contornar essa dificuldade, a empresa investiu, nos últimos dois anos, em três fundos de investimento com acesso ao mercado de capitais.
“O produtor consegue acessar esse capital e, apenas com o aumento de produtividade que a irrigação traz, pagar as parcelas”, explicou.
A adesão a esse modelo financeiro tem sido expressiva. Segundo Roque, aproximadamente 50% das vendas da empresa já são realizadas por meio desses fundos, com prazo de pagamento de até cinco anos. O modelo permite que o produtor adquira o equipamento e quite o investimento com os ganhos de produtividade gerados pela própria irrigação.
Setor cresce mesmo em cenário de pressão sobre margens
Na avaliação de Roque, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador, em que produtores tendem a reduzir investimentos quando as margens diminuem, a irrigação permanece como uma das prioridades na hora de investir.
“O produtor coloca o pé no freio, mas ainda existem poucos investimentos em que ele decide investir, justamente pelo potencial do retorno e a mitigação do risco, como a irrigação”, afirmou.
O CEO acrescentou que, apesar da expectativa de queda de 15% no setor para este ano, nos últimos quatro anos o mercado praticamente dobrou em termos de investimento.
Fenômenos climáticos como o El Niño também influenciam diretamente a demanda. Segundo o CEO, quando há previsão de estiagem, os produtores antecipam a aquisição de sistemas de irrigação para garantir segurança. A região Sul, por exemplo, ampliou os investimentos no setor no ano passado, motivada pelo histórico de desafios climáticos e pelas boas perspectivas para as próximas safras.
Tecnologia brasileira integrada à operação da Bauer
Além dos equipamentos de origem austríaca, a Bauer incorporou ao portfólio uma startup de tecnologia brasileira fundada em 2017, especializada em monitoramento e gestão do uso da água na irrigação. “Ela faz toda essa inteligência para que a gente consiga garantir a quantidade de água na hora certa e na quantidade certa”, descreveu Roque.
A empresa foi adquirida pela Bauer e passou a funcionar como o hub de tecnologia do grupo, sendo apresentada como o principal diferencial competitivo da companhia no mercado brasileiro. A solução permite tanto a modernização de máquinas antigas quanto a comercialização de novos equipamentos já com a tecnologia integrada.

