O setor lácteo brasileiro foi o principal destaque do painel “Safra forte, estrutura frágil: os gargalos do agro brasileiro”, realizado durante o evento Eloos, promovido pela Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, em Belo Horizonte. Esta segunda-feira (1º) também celebra o Dia Mundial do Leite.
O debate reuniu lideranças, pesquisadores e representantes institucionais para discutir os desafios estruturais da cadeia produtiva do leite, incluindo concorrência internacional, insegurança jurídica, gargalos logísticos e baixa capacidade de armazenagem.
O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini, destacou que o Brasil não pode aceitar uma competição desleal no setor e defendeu uma abordagem mais estruturada para a cadeia leiteira.
Segundo ele, o país produz cerca de 35 bilhões de litros de leite por ano e precisa garantir condições de concorrência equilibradas para o produtor nacional.
Bellini afirmou ainda que práticas como o dumping não devem ser tratadas de forma pontual, mas dentro de uma governança mais ampla do setor.
Ele ressaltou o papel da Embrapa Gado de Leite, que conta com cerca de 150 especialistas dedicados ao desenvolvimento de tecnologias e sistemas de produção mais sustentáveis e competitivos.
O dirigente também defendeu maior suporte técnico ao produtor diante das transformações do mercado e das exigências regulatórias.
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lacerda, reforçou as preocupações com a concorrência externa e defendeu a revisão de acordos comerciais com países como Argentina e Uruguai. Ele alertou para a falta de medidas mais eficazes de proteção ao produtor de leite brasileiro.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), também participou do debate e defendeu maior atenção à estrutura da pecuária leiteira brasileira.
Ele destacou que o país possui dois perfis distintos de produção no setor e defendeu a criação de um plano específico de aquisição de leite para fortalecer a cadeia.
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1 de 9Painel "Do campo a geopolítica: o agro no centro das decisões globais" durante o Eloos, em Belo Horizonte • Uarlen Valério / Itatiaia
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2 de 9Adriana Maugeri, presidente da Associação Mineira de Indústria Florestal, durante painel "Do campo a geopolítica: o agro no centro das decisões globais", no Eloos • Uarlen Valério / Itatiaia
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3 de 9Deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) durante painel "Do campo a geopolítica: o agro no centro das decisões globais", no Eloos • Uarlen Valério / Itatiaia
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4 de 9Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência, e Thales Almeida, secretário de Estado e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, durante o painel "Do campo a geopolítica: o agro no centro das decisões globais", no Eloos • Uarlen Valério / Itatiaia
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5 de 9João Vitor Xavier, CEO da CNN e vice-presidente da Itatiaia, durante o Eloos, evento que debate os desafios e o futuro do agronegócio • Uarlen Valério / Itatiaia
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6 de 9Eloos, evento que debate os desafios e o futuro do agronegócio, é realizado em Belo Horizonte • Itatiaia
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7 de 9Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao chegar para o Eloos, evento que debate os desafios e o futuro do agronegócio • Itatiaia
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8 de 9Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado se cumprimentam durante o Eloos, em Belo Horizonte • Uarlen Valério / Itatiaia
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9 de 9Painel "Safra forte, estrutura frágil: os gargalos do agro brasilerio" durante o Eloos, em Belo Horizonte • Rodrigo Leite / Itatiaia
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Caiado afirmou ainda que o setor leiteiro não deve entrar nas negociação em acordos internacionais, como forma de proteger o produtor nacional da concorrência externa.
O ex-governador relatou ainda experiência recente em viagem à Índia, onde observou a existência de cerca de 15 mil pesquisadores dedicados exclusivamente ao setor leiteiro.
Segundo ele, o Brasil ainda enfrenta atraso significativo em pesquisa aplicada ao setor, reforçando a necessidade de aproximar a ciência da realidade do campo e garantir que as tecnologias desenvolvidas possam ser efetivamente implementadas.
A editora e analista da CNN Agro Fernanda Pressinott chamou atenção para gargalos estruturais relevantes, como a falta de armazenagem no país.
Segundo ela, cerca de 40% da safra brasileira não possui capacidade adequada de estocagem, o que reduz a autonomia do produtor e aumenta a exposição às variações de mercado.
Ela também destacou problemas logísticos na cadeia do leite e da pecuária e reforçou a necessidade de ampliação dos investimentos públicos e privados em infraestrutura, além do impacto dos juros elevados sobre o setor.
A vice-presidente em exercício da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Núbia de Paula, destacou a insegurança jurídica como um dos principais entraves ao crescimento do agronegócio.
Segundo ela, a ausência de previsibilidade contratual, a burocracia excessiva e os desafios no licenciamento ambiental comprometem investimentos e limitam a expansão do setor.
Núbia defendeu maior estabilidade regulatória, redução da burocracia e racionalização dos processos ambientais, afirmando que o Estado precisa atuar como parceiro estratégico do produtor rural.
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