O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) condicionou uma eventual candidatura à Presidência da República em 2026 à construção de alianças políticas amplas e ao apoio de setores da sociedade.
À CNN Brasil, o ex-governador de Minas afirmou que não pretende disputar o Palácio do Planalto de forma isolada.
“Não vou fazer uma travessia solitária. Isso só tem sentido se tiver alguma possibilidade de uma aliança maior com outras forças políticas”, disse.
A fala ocorre em meio às movimentações recentes dentro da federação PSDB-Cidadania e de partidos aliados para estimular o nome de Aécio como alternativa de centro para a eleição presidencial de 2026.
Na declaração, o parlamentar afirmou que vem sendo procurado por integrantes de sua antiga equipe de campanha presidencial de 2014 e por colaboradores ligados às áreas econômica e social para discutir propostas de governo.
“O que eu tenho recebido é muita gente que participou comigo em 2014 na área econômica, pessoal da área do petróleo, da área social, da saúde, todo mundo procurando, apresentando ideias, querendo construir um projeto”, afirmou.
Apesar disso, Aécio evitou confirmar intenção de candidatura e afirmou que o movimento político em curso não necessariamente o terá como candidato. “Um projeto que não necessariamente me terá como candidato a presidente”, declarou.
O tucano também demonstrou cautela ao tratar do cenário eleitoral e afirmou que pretende ouvir lideranças políticas antes de qualquer definição.
“Agora é hora de eu ouvir. Eu observar. Estou conversando com muita gente, mas não tenho realmente nenhum momento ou data para resolver isso”, disse.
Segundo Aécio, uma eventual definição deve ocorrer apenas mais próximo do período das convenções partidárias, previstas para julho do ano eleitoral.
“Acho que essas coisas todas vão ser definidas mais próximo do prazo das convenções em julho”, afirmou.
Nos bastidores, dirigentes do PSDB, do Cidadania e do Solidariedade passaram a discutir mais abertamente a possibilidade de uma candidatura presidencial de Aécio após o avanço da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nomes ligados ao bolsonarismo para 2026.
Aliados do deputado avaliam que ele mantém capital político, experiência administrativa e capacidade de articulação nacional para liderar um projeto de reconstrução do espaço de centro no país.
Internamente, porém, integrantes da sigla reconhecem resistência ao nome do ex-senador devido ao desgaste político acumulado nos últimos anos.
Na semana passada, o Cidadania aprovou uma moção de apoio à pré-candidatura de Aécio dentro da federação com o PSDB. O gesto foi citado pelo próprio tucano na conversa com a CNN.
“Foi um gesto importante do Cidadania, da Solidariedade, do próprio PSDB”, afirmou.

