O governo cubano emitiu um severo alerta na última segunda-feira (18), afirmando que qualquer ação militar dos Estados Unidos contra a ilha resultaria em um “banho de sangue” com consequências incalculáveis para a paz e a estabilidade da região. A declaração foi feita pelo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em uma publicação na rede social X.
A manifestação cubana surgiu como resposta a uma reportagem do portal norte-americano Axios, que afirma que Cuba adquiriu mais de 300 drones militares e que, recentemente, começou a discutir planos para utilizá-los contra alvos americanos.
Segundo a publicação, os alvos incluiriam a base dos Estados Unidos em Guantánamo, navios militares americanos e, possivelmente, o sul da Flórida — região que realiza exercícios militares com sistemas autônomos e semiautônomos de guerra, localizada a aproximadamente 140 quilômetros de Cuba.
Reportagem baseada em fonte anônima
O site Axios publicou a reportagem com base em informações confidenciais atribuídas a um alto funcionário do governo de Donald Trump, sem citar outras fontes. Tanto Díaz-Canel quanto o chanceler cubano, Bruno Rodrígues, afirmaram que Cuba não constitui nenhuma ameaça e não possui planos de ataque contra os Estados Unidos nem contra qualquer outro país. A posição oficial de Havana é de que são os próprios Estados Unidos que ameaçam Cuba de forma permanente.
Apesar de não desmentir diretamente as informações publicadas pelo Axios, o governo cubano reforçou que tem o direito de se defender de uma eventual investida bélica. “Cuba não representa uma ameaça”, escreveu Díaz-Canel, acrescentando que isso não pode ser usado como pretexto para impor uma guerra contra o país.
Cuba também afirmou já sofrer uma “agressão multidimensional” por parte dos Estados Unidos, incluindo um bloqueio econômico que se estende por décadas e, mais recentemente, um bloqueio energético que agrava a crise de abastecimento na ilha.
Tensão crescente e possíveis impactos regionais
A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta destacou que a proximidade geográfica entre os dois países torna a situação particularmente sensível. Segundo ela, a distância entre Cuba e o estado da Flórida é de aproximadamente 150 quilômetros, e de Havana até Miami, cerca de 370 quilômetros.
“Qualquer ameaça que venha eventualmente de Cuba, ainda que de tecnologia relativamente simplória, não é desprezível”, afirmou. Ela ressaltou que Cuba poderia “criar um certo estrago e uma onda de terror” em território americano.
Magnotta também apontou que um eventual conflito teria repercussões que ultrapassariam as fronteiras bilaterais. Cuba mantém relações estreitas com Rússia e China, países que têm interesse em disputar influência na região com os Estados Unidos.
Uma escalada de tensão poderia, portanto, envolver outros atores internacionais, reforçar narrativas anti-americanas no sul global e afetar o comércio marítimo, cadeias logísticas no Caribe, investimentos em infraestrutura e o fornecimento de energia — em um contexto mundial já pressionado por outros conflitos, como o da Ucrânia e as tensões no Oriente Médio.
A correspondente da CNN em Buenos Aires, Luciana Taddeo, lembrou ainda que, desde janeiro, Cuba enfrenta grave escassez energética em razão da redução nos envios de petróleo da Venezuela. Desde então, a ilha passou a ser alvo de ameaças verbais por parte do presidente americano, Donald Trump, que chegou a afirmar que poderia “tomar a ilha” e classificou Cuba como um “estado falido”, sinalizando que só aguarda que o governo cubano decida negociar.

