O apetite chinês por carne bovina cresceu em 2026, com um empurrão dado pelas medidas de salvaguarda implantadas a partir de janeiro de 2026 e a corrida dos exportadores em preencher as cotas sem a taxas de 55%.
Entre janeiro e abril deste ano, o país asiático comprou 1,1 milhão de toneladas de carne bovina, de todos os fornecedores. Alta de 25,75% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Mais da metade saíram do Brasil. De janeiro a abril o país enviou 612,87 mil toneladas de carne à China. Salto de 53,62% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025.
Do lado dos concorrentes o cenário é de perda de espaço.
A Argentina, segunda maior fornecedora à China, detém 13% do mercado e recuou 1% no acumulado do ano.
A Nova Zelândia perdeu 2,21% de participação no mesmo intervalo.
Cotas no radar
O ponto que merece atenção é o preenchimento total das cotas fixadas pelo regime de salvaguarda chinês:
A Austrália já enviou 144,42 mil toneladas; 70,45% de sua cota de 205 mil toneladas.
O Brasil aparece logo atrás com 55,41% da cota, de 1,1 milhão de toneladas, preenchida.
E a Argentina, mesmo com o recuo na comparação anual, já usou 34,58% da sua cota de 511 mil toneladas.
As projeções apontam que o Brasil atingirá a cota em meados de julho, somando as cargas em trânsito e o tempo que demoram para chegar a China, em torno de 45 dias. Apesar dos pedidos de usar cotas não preenchidas de outras países, dificilmente essa medida será acatada pelo governo chines.
A China adotou medidas de salvaguardas, para compra de carne bovina, desde 1º janeiro de 2026. Uma maneira de tentar proteger os pecuaristas chineses. Dona do terceiro maior rebanho bovino do mundo, atrás do Brasil e dos Estado Unidos, a produção chinesa é insuficiente para abastecer o mercado interno de 1,4 bilhão de habitantes. As regras estão previstas para durar até três anos.

