O PT tem articulado uma estratégia narrativa para se proteger das possíveis repercussões políticas decorrentes da relação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com integrantes do partido na Bahia. A informação foi apurada pelo analista de Política Pedro Venceslau e detalhada ao CNN 360º desta sexta-feira (22).
Prevendo que essa conexão se torne munição para os adversários, o PT já teria começado a montar uma estratégia de defesa. A ideia central, segundo Venceslau, é argumentar que tudo começou com o que Jaques Wagner chamou de “trambolho”.
O “trambolho” em questão é a Cesta do Povo, uma rede estatal de supermercados criada por Antônio Carlos Magalhães em 1979, herdada pelos governos petistas na Bahia e que gerava despesas ao Estado.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada também nesta sexta-feira, Wagner explicou que ele e Rui Costa tentaram privatizar essa rede por meio da Bolsa de Valores, sem sucesso em duas tentativas consecutivas.
Foi nesse contexto que surgiu o empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro no início do Banco Master. Segundo a narrativa dos petistas, Lima teria o perfil adequado para a aquisição por já ter experiência com cartão de benefícios, além de dispor de recursos financeiros.
Ele teria comprado tanto a rede de supermercados quanto o cartão de benefícios chamado Credcesta, utilizado por funcionários públicos estaduais.
Apesar da estratégia narrativa em construção, Venceslau apontou um elemento que ainda representa um ponto frágil para o PT: a relação da nora de Jaques Wagner, Bonnie Bonilha, com o Banco Master.
De acordo com o analista, ela teria mantido contratos com a instituição durante três anos, entre 2022 e 2025, informação revelada inicialmente pelo portal Metrópoles e posteriormente confirmada pela CNN.
A ofensiva do PL
Ao mesmo tempo em que o PT traça essa narrativa, o PL tem feito uma ofensiva para tentar atenuar o desgaste associado à relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, buscando vincular o escândalo do Banco Master ao PT baiano.
Segundo Venceslau, integrantes do PL têm insistido na mesma linha de argumentação. “Há a esperança de que a Polícia Federal chegue ao PT da Bahia. Já não é suficiente para a oposição dizer que Lula encontrou o ex-banqueiro fora da agenda. Esse encontro fica pequeno perto da intimidade de Flávio Bolsonaro com Vorcaro”, pontua o analista.
A principal aposta da oposição seria, portanto, que viesse à tona a relação entre Rui Costa e Jaques Wagner, ambos ex-governadores da Bahia, com o caso.

