Mais de quarenta anos após o lançamento do livro “A Casa dos Espíritos” pela escritora chilena Isabel Allende, a história ganha nova vida com a minissérie que chega ao Prime Video nesta quarta-feira (29).
Em entrevista à CNN Brasil, Isabel Allende falou sobre o processo de revisitar o primeiro livro de sua carreira para uma produção feita em espanhol e sobre as mudanças de um mundo que apenas recentemente começou a ler legendas.
A obra de realismo mágico publicada em 1982 acompanha quatro gerações distintas da família Trueba. Entre paixões, amores secretos, crises e misticismo, os Trueba enfrentam um século de intensa turbulência política e governos autoritários no país fictício da América Latina onde a história se passa.
Esta não é a primeira vez que o livro é adaptado para as telas: o filme de 1993 levou “A Casa dos Espíritos” ao cinema com um elenco mais que estrelado. Meryl Streep, Winona Rider, Glenn Close, Antonio Banderas e outros grandes nomes da indústria deram vida à família Trueba na produção de Hollywood. Mas é só agora, com a série do Prime Video, que teremos uma chance de assistir à história na língua em que ela foi escrita.
“O filme me agradou. Mas é preciso pensar que, quando o filme foi feito, em 1993, tinha que ser em inglês para que fosse internacional”, disse Isabel Allende. “Hoje em dia todo mundo lê legendas. Um filme pode ser em maia, em quéchua ou em chinês. Não importa, porque lemos as legendas. Antes não havia isso… quer dizer, havia, mas as pessoas não estavam acostumadas.”

A nova produção traz como protagonistas Alfonso Herrera como Esteban Trueba, Nicole Wallace e Dolores Fonzi como Clara Del Valle em diferentes fases da vida. Além de Fernanda Castillo, Aline Kuppenheim, Eduard Fernández, Sara Becker e outros.
Ao longo da série de oito capítulos, Allende – que atuou como produtora-executiva – também acredita que será possível incluir mais detalhes da trama: “Contá-la completa, com calma, sem pressa.”
Diferença entre gerações
Parte central de “A casa dos Espíritos” é o embate entre diferentes gerações de uma mesma família, mas Isabel Allende parece não se preocupar muito com como sua história pode ser recebida pelas gerações mais jovens.
“Não se pode dizer à audiência como pensar ou como sentir. A gente apresenta uma criação, que neste caso é a minissérie, e depois não controla como será recebida. Fazemos o melhor que podemos, honestamente, e acho que foi isso que aconteceu com esses diretores, que fizeram um trabalho extraordinário. Agora, se há pessoas na audiência que não recebem bem ou não entendem, ou se chocam, ou simplesmente não gostam, isso está totalmente fora do controle dos criadores“, disse.
Allende também elogiou o trabalho do trio de chilenos à frente da série: Francisca Alegría, Fernanda Urrejola e Andrés Wood.
A escritora disse que as únicas adaptações pensadas para os dias de hoje tinham a ver com o vocabulário dos personagens, mas que ela não acredita que isso tenha mudado a história em nada. “Os problemas estavam em algumas palavras, que já não se podem dizer porque são ofensivas. Eram palavras, não circunstâncias ou cenas, ou personagens. Eu acho que tem o mesmo valor quarenta anos atrás que hoje. E eu acho que o público jovem vai entender perfeitamente”, acrescentou.
Veja o trailer de “A Casa dos Espíritos”
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