A multinacional de máquinas e implementos agrícolas de Pindorama (SP), Indústrias Colombo, anuncia a produção da primeira recolhedora do mundo para pimenta-do-reino. A aposta faz parte da estratégia do grupo de investir em nichos agrícolas que possuem força no mercado doméstico, como a especiaria. O lançamento acontece na 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto, e se configura como a primeira mecanização para a cultura.
Para isso, a empresa vai produzir as primeiras 50 recolhedoras este ano. O cultivo, que é tradicionalmente manual, está concentrado no Espírito Santo, Pará e Bahia, os três maiores produtores do cultivo. Entre os capixabas, a Colombo já é líder em mecanização do café conilon.
Com produção 100% nacional, a nova colhedora reforça a estratégia da empresa de investir em soluções específicas para culturas menos atendidas pela mecanização tradicional. A expectativa, no médio prazo, é expandir a tecnologia para outros países produtores, como Vietnã e Malásia, após a validação no Brasil.
A estreia neste mercado na Agrishow, inclusive, atraiu representantes da cadeia e pode fazer a multinacional aumentar o número de máquinas estimadas para este ano, destacou o diretor de operações da empresa, Neto Colombo.
Apesar da retração das vendas de máquinas no primeiro trimestre, o executivo disse que a entrada neste mercado é uma forma de driblar a retração financeira dos produtores e do cenário atual de juros altos e margens apertadas.
A máquina proposta pela Colombo introduz uma lona que se estende entre as linhas de plantio, onde os cachos são depositados. Em seguida, o equipamento recolhe o material, realiza a separação de impurezas e entrega apenas o produto pronto para o pós-colheita.
A recolhedora levou três anos de pesquisa e interação com produtores entre idealização e fabricação. Até então, a colheita da especiaria era feita de forma totalmente manual, com a retirada dos cachos e posterior envio para beneficiamento.
De acordo com o executivo, o ganho de eficiência pode ser significativo. “O produtor consegue colher, em média, 20% a mais com metade da equipe”, disse. Além de reduzir custos operacionais, a tecnologia tende a melhorar a qualidade do produto ao diminuir a presença de impurezas, o que pode favorecer a padronização e a inserção em mercados mais exigentes, especialmente no exterior.
A cadeia da pimenta-do-reino no Brasil tem forte vocação exportadora — cerca de 90% da produção é destinada ao mercado internacional. Nesse contexto, a mecanização é vista como um passo importante para a profissionalização do setor e adaptação a exigências de rastreabilidade e qualidade, como as impostas por mercados europeus.
Neste primeiro momento, a Colombo deve concentrar a comercialização no mercado doméstico, priorizando as principais regiões produtoras. A estratégia inicial prevê um lote piloto de 50 máquinas em 2026, número que pode ser ajustado conforme a demanda.
“É uma tecnologia nova, e o produtor vai passar por uma curva de aprendizado. Queremos estar próximos nesse processo”, explicou Colombo.
A novidade pode trazer mais receita para o grupo. Segundo o executivo, a companhia registrou crescimento de 12% na receita em 2025 na comparação com o ano anterior, desempenho considerado positivo diante do cenário desafiador para o setor de máquinas agrícolas. Para 2026, a expectativa é repetir o resultado, mesmo com juros elevados e maior cautela por parte dos produtores.
“É um ano desafiador para o agronegócio como um todo, mas temos lançamentos que nos fazem crer que podemos manter a performance”, afirma em entrevista ao CNN Agro.

