O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 80, passou por dois procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta sexta-feira (24).
Trata-se de um retirada de queratose no couro cabeludo e uma infiltração no punho direito para tratar tendinite no polegar, conforme confirmado pela assessoria de imprensa do chefe do Executivo.
Entenda os procedimentos realizados por Lula:
Queratose no couro cabeludo
À CNN Brasil, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dematologia, explica que a queratose é uma alteração da pele, caracterizada pelo espessamento da camada mais superficial, chamada de estrato córneo, geralmente decorrente de um crescimento anormal dos queratinócitos.
“Os tipos mais comuns na prática clínica são a queratose seborreica, que é benigna e relacionada ao envelhecimento cutâneo, e a queratose actínica, considerada uma lesão pré-maligna associada à exposição solar crônica”, diz.
“Já no couro cabeludo, especialmente em pacientes com rarefação capilar, essas lesões são bastante frequentes”, acrescenta.
Como diferenciar de uma sarda comum?
Para o leigo, a confusão é comum. Enquanto as sardas tendem a ser planas e de coloração uniforme, as queratoses apresentam uma superfície áspera e descamativa.
“Lesões que mudam rapidamente de cor, tamanho, apresentam bordas irregulares, sangramento ou coceira persistente devem ser avaliadas prontamente, pois podem indicar neoplasias cutâneas, como o melanoma ou carcinoma espinocelular”, diz o especialista.
Tratamentos e procedimentos
Segundo Lucas, a medicina atual oferece diversas técnicas para a remoção das lesões, escolhidas de acordo com o tipo e a extensão do quadro clínico.
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Crioterapia: Uso de nitrogênio líquido para “congelar” a lesão;
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Eletrocoagulação e Curetagem: Raspagem da lesão seguida de cauterização;
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Laser Ablativo: Remoção precisa da camada afetada;
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Terapias de Campo: Uso de cremes específicos (como 5-fluorouracil ou imiquimode) ou terapia fotodinâmica para tratar áreas extensas com dano solar.
Geralmente, os procedimentos bem tolerados. Enquanto a crioterapia causa apenas um ardor passageiro, técnicas de curetagem e eletrocoagulação são feitas com anestesia local para garantir o conforto total do paciente.
“Sedação raramente é necessária, sendo reservada para casos específicos ou pacientes muito sensíveis”, garante.
Recuperação e cuidados
O tempo de cicatrização inicial varia entre 7 a 14 dias. Durante esse período, o segredo para evitar manchas ou cicatrizes reside em três pilares: limpeza da área, não remover as crostas e proteção solar rigorosa.
A exposição solar direta deve ser evitada por pelo menos duas a três semanas. O uso de chapéus e fotoprotetores é indispensável, especialmente para quem possui rarefação capilar (pouco cabelo), já que o couro cabeludo é uma das áreas mais atingidas pela radiação UV.
Prevenção vai além do filtro solar
Embora o protetor solar seja o protagonista da prevenção, outras estratégias ajudam a manter a pele saudável:
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Retinoides e Antioxidantes: Podem auxiliar na renovação celular e reduzir o estresse oxidativo da pele;
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Barreiras Físicas: Chapéus e bonés são essenciais para proteger o couro cabeludo;
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Check-up Dermatológico: O acompanhamento regular permite identificar e tratar lesões pré-malignas precocemente, evitando cirurgias mais invasivas no futuro;
Infiltração no punho
Também à CNN Brasil, o ortopedista Fernando Baldy dos Reis, da rede de Hospitais São Camilo, explica que antes de entender a infiltração de punho, é necessário detalhar o que é a tendinite e por que ela é causada.
“Trata-se de uma inflamação no tendão. Na mão e punho nós temos vários tendões, e quando eles inflamam, chama-se tendinite. Essa inflamação pode ocorrer por excesso de esforço, alguma patologia que o paciente tenha ou por estar usando muito a mão”, detalha.
“Os sintomas da tendinite são dor na flexo-extensão do punho ou dos dedos, dependendo de onde acometeu, perda de força e perda funcional do membro ou do tendão afetado”, adiciona.
Já a infiltração no punho, considerada uma das possibilidades de tratamento, é a colocação de medicamento diretamente no local da inflamação.
“Em alguns casos, o anti-inflamatório por via oral ou até por via endovenosa pode não atingir a concentração necessária de medicação na inflamação em si, então, a infiltração põe o medicamento diretamente lá”, diz.
Quando a infiltração é necessária?
Segundo Fernando, o tratamento das tendinites é feito com anti-inflamatório oral por uma semana e 15 dias fazendo fisioterapia.
Se não houver melhora ou ela se agravar, é considerada a possibilidade de fazer uma infiltração local no tendão específico com um remédio analgésico e o anti-inflamatório. “Se for articular e não no tendão, a infiltração pode ser feita com uma viscossuplementação”, acrescenta.
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