O direcionamento das usinas para a produção de etanol e a evolução da safra brasileira têm guiado o comportamento dos preços futuros do açúcar na bolsa de Nova York. O contrato do açúcar para julho avançou 1,58% na sessão desta sexta-feira (24), sendo negociado a US$ 14,11 por libra-peso.
Segundo o consultor comercial e financeiro da IMG, Leonardo Silvestre, o mercado também acompanha os fundos especulativos que seguem como principais formadores de preço. Atualmente, com uma posição vendida na bolsa de 113.811 lotes ou 5,8 milhões de toneladas. “Esse volume já foi aproximadamente o dobro meses atrás, mas vem sendo reduzido à medida que diminui a percepção de risco no mercado”, informou.
Além disso, o consultor destaca que houve avanço nas fixações, com parte do setor tendo que absorver perdas na precificação. “Isso ocorreu, em grande parte, pela rolagem de posições na bolsa diante da expectativa de que os preços retornassem aos níveis observados em 2024 e 2025”, informou Silvestre.
Silvestre também destaca o início da moagem da cana-de-açúcar no Brasil, com expectativa de aumento no volume processado na safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior. Outro fator relevante é a mudança no mix de produção das usinas, que têm direcionado maior volume para o etanol, atualmente mais remunerador que o açúcar.
Já Maurício Muruci, da Safras & Mercado, aponta que a recente sustentação dos preços em Nova York está ligada aos novos dados globais de oferta e demanda divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para a safra 2026/27.
Para o Brasil, o departamento apontou que queda de 2,97% na produção do Brasil com um corte de 1,30 milhão de toneladas, saindo de 43,80 para 42,50 milhões de toneladas. Já com relação as exportações, o USDA aponta queda de 1,47% nas exportações do Brasil que deverão sair de 34,10 para 33,60 milhões de toneladas, com um corte de 501 mil toneladas.
A queda está estimada em 9,53% na demanda interna do Brasil que deverá sair de 9,94 para 9,00 milhões de toneladas, com um corte de 948 mil toneladas, conforme o levantamento do USDA.
Com isso, os estoques globais permanecem mais ajustados, e os compradores industriais passaram a adquirir o produto de forma mais pontual, conforme a necessidade, em vez de formar estoques antecipadamente.
Café
Os preços futuros do café arábica também finalizaram a sessão com baixas e devolvendo parte dos ganhos da última sessão na bolsa de Nova York. O contrato para entrega em julho registrou queda de 1,81% e está precificado em US$ 2,948 por libra-peso.
De acordo com o Barchart, os preços do café caíram neste pregão após atingirem as máximas de quatro semanas. O contrato julho/26 chegou a atingir US$ 3,06 ao longo desta sessão.
De acordo com análise do Diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, houve uma tentativa de rompimento dos níveis de resistência na bolsa. No entanto, sem sustentação, os preços recuaram e voltaram a operar dentro do canal lateral observado ao longo da semana.
Entre os fatores que sustentaram as altas momentâneas estão as preocupações com o clima, especialmente os efeitos do El Niño, além da pressão dos custos de produção, como diesel, fertilizantes e frete.
Por outro lado, o movimento de queda foi influenciado pelo avanço do calendário produtivo. “O fim da entressafra do café arábica, aliado à entrada de uma safra robusta, estimada da safra brasileira acima de 72 milhões de sacas, ampliou a pressão sobre as cotações”, informou.
Ainda de acordo com o consultor, o cenário abriu oportunidades pontuais apesar das correções. “Produtores atentos ao mercado puderam aproveitar os momentos de valorização para fixação de preços, enquanto agentes especulativos encontraram espaço para operar na volatilidade e capturar ganhos no movimento de baixa”, informou Bonfá.
Cacau
Os contratos futuros do cacau finalizaram a sessão com desvalorização de 0,78% na Bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em julho ficou cotado em US$ 3.431 por tonelada.
De acordo com o Barchart, os preços do cacau estão em queda nesta sessão em meio a preocupações com a demanda.
De acordo com o levantamento realizado pela Circana, empresa americana que realiza pesquisa de mercado, as vendas de chocolates na América do Norte até o dia 22 de março caíram 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Bloomberg Intelligence afirmou que as vendas de chocolates durante o último feriado da Páscoa, um período sazonal de alto consumo de chocolate, caíram cerca de 5% em relação ao ano passado.
A Oferta segue elevada e pressionando os preços para baixo, enquanto os estoques de cacau na bolsa subiram para o maior nível em vinte meses, atingindo 2.632.357 sacas no início desta semana.
Suco de laranja
Os vencimentos futuros do suco de laranja encerraram em queda pela segunda sessão consecutiva na Bolsa de Nova York. O contrato julho fechou cotado a US$ 1.620,00 por tonelada e registrou baixa de 3,49%.
De acordo com as informações do Price Group, os contratos futuros fecharam em baixa novamente devido à continuidade das vendas especulativas.
Além disso, o mercado acompanha as condições climáticas para a próxima safra que está mais seco nos Estados Unidos, mas típico da estação, e algumas chuvas estão começando a aparecer.
Já para o Brasil e México, o clima é considerado bom para a produção em ambos os países, mas ainda há relatos de pancadas de chuvas isoladas no cinturão citrícola no Brasil.
O analista da Price Group, Jack Scoville, aponta que as tendências nos gráficos diários são de continuidade das baixas.
Algodão
Os contratos futuros do algodão fecharam a sessão na Bolsa de Nova York com queda de 3,46% vencimento para julho está cotado a US$ 79,36 por libra-peso.
Como o agronegócio enfrenta o risco climático que muda a cada safra

