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99% dos líderes esperam demitir por causa da IA, aponta pesquisa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
99% dos líderes esperam demitir por causa da IA, aponta pesquisa

Praticamente todos os executivos estão se preparando para reduzir quadros de pessoal nos próximos dois anos por causa da inteligência artificial. O dado é do Global Talent Trends 2026, relatório anual da consultoria Mercer publicado esta semana, que ouviu líderes de negócios e profissionais de RH ao redor do mundo.

A pesquisa indica que 99% dos CEOs antecipam que a automação vai resultar em cortes de funcionários até 2028.

O problema, segundo o levantamento, é que as empresas estão longe de estar prontas para essa transição. Apenas 32% dos líderes acreditam que sua força de trabalho atual está em condições adequadas para operar ao lado de ferramentas automatizadas.

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Trabalhadores iniciantes no centro do impacto

A Mercer aponta que profissionais no início de carreira, com até cerca de 27 anos, devem ser os mais afetados pelas mudanças. Funções com tarefas administrativas repetitivas são as que correm maior risco de serem absorvidas por sistemas automatizados.

Ainda assim, os trabalhadores demonstram interesse em usar IA, não em fugir dela. Segundo o relatório, 35% dos entrevistados disseram que considerariam pedir demissão se não tivessem acesso suficiente a ferramentas ou treinamentos em IA no trabalho.

O que as empresas precisam reorganizar

Para além das demissões, o estudo detalha mudanças estruturais que tendem a ganhar espaço nas organizações: simplificação de linhas hierárquicas, centralização de governança, criação de equipes com maior autonomia e redução de camadas de gestão.

As prioridades declaradas pelos líderes para o próximo ano incluem redesenho de processos de trabalho, melhora nas ferramentas de análise de RH e capacitação de gestores para liderar equipes mistas de humanos e agentes de IA.

O departamento de recursos humanos, segundo a Mercer, enfrenta um dos maiores desafios nessa reorganização. A principal prioridade das equipes de RH consultadas é melhorar a experiência do funcionário para atrair e reter talentos qualificados, ao mesmo tempo em que precisa desenvolver métricas de desempenho que combinem resultados humanos e automatizados.

As recomendações finais do relatório são diretas: líderes de nível executivo devem priorizar o redesenho do trabalho e a capacitação contínua; equipes de RH precisam adotar indicadores que meçam performance humana e de máquina de forma integrada; e os próprios trabalhadores devem assumir responsabilidade pelo desenvolvimento da própria familiaridade com IA, sem depender exclusivamente das empresas para isso.

Um caso que ilustra os impactos das mudanças organizacionais causadas pela IA é o da Uber. A empresa esgotou seu orçamento anual para a tecnologia em abril, e lideranças estão questinando os gastos internos com IA.

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