Foto: Reprodução/Amazon Sat
O empresário Adélio Barofaldi, CEO do Grupo Rovema, é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo Amazon Sat. A história de Adélio Barofaldi com Rondônia começou há quatro décadas, quando o empresário deixou o Rio Grande do Sul para construir uma trajetória profissional na Amazônia.
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Ao longo de 40 anos, ele acompanhou diferentes ciclos econômicos de Rondônia e viu o estado passar por mudanças na infraestrutura, na produção e na forma de fazer negócios.
“Vim do Rio Grande do Sul pra cá, pra desbravar a Amazônia na época do garimpo. Então, foi uma época muito difícil na chegada aqui, em função das dificuldades que tinha o estado naquela época”, conta.
Do garimpo ao Grupo Rovema
A história do grupo começou em 1985, em Porto Velho, com a fundação da empresa Jato Eletro Diesel. Antes da expansão para diferentes setores, o negócio tinha uma estrutura pequena e estava diretamente relacionado às atividades do garimpo.
Segundo Adélio, quando chegou a Rondônia, familiares e sócios já atuavam na região havia cerca de dois anos. O objetivo era prestar serviços para as atividades de extração de ouro ao longo do Rio Madeira.
Naquele período, as condições de infraestrutura eram diferentes das atuais. O empresário lembra que trechos importantes ainda não eram asfaltados e que o deslocamento pela região era marcado por estradas de chão.
“Na época, eu lembro muito bem que do Trevo do Roque para Guajará Mirim não tinha asfalto, não tinha nada, então era chão. E aí o garimpo era ao longo do Rio Madeira. Então todo o nosso trabalho era voltado pra atender as vagas pro garimpo do Rio Madeira. E assim foi o sucesso”, relembra.
Formado em contabilidade, Adélio percebeu que poderia ampliar a atuação da empresa para outros setores. Foi quando começaram os investimentos em concessionárias e no agronegócio.

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“O grupo começou com um pequeno laboratório de bomba de retorno, onde a família trabalhava fazendo a mão de obra. E aí, quando eu vim pra Rondônia, eu já era formado em contabilidade. Cheguei em Porto Velho e eu via que aquilo não era um trabalho que tava na minha formação, mexer com garimpo só. E aí começamos, compramos a Fiat, depois compramos a Scania, entramos no agronegócio, onde começou a surgir outras oportunidades aqui”, explica.
A diversificação também ajudou a empresa a enfrentar mudanças econômicas.
As transformações de Rondônia
Ao longo de quatro décadas, Adélio acompanhou diferentes momentos da economia de Rondônia. “Nesses 40 anos, a gente aproveitou o ciclo do ouro, o ciclo da madeira, foi o último ciclo das usinas e a gente sempre aproveitando. Agora, o último ciclo, que não é ciclo, é mais perene, é o agronegócio”, afirma Adélio.
Para o empresário, a expansão do agronegócio representa uma mudança na economia do estado e abre espaço para novas atividades ligadas à industrialização da produção. Segundo ele, a produção agrícola e pecuária de Rondônia pode ser acompanhada pelo desenvolvimento de pequenas indústrias, agregando valor aos produtos produzidos no estado.
“Antigamente não tínhamos milho, hoje tem milho. Não tinha soja, hoje tem soja. Não tinha estrada, hoje tem. Não tinha energia elétrica, hoje nós temos o suficiente. Nós estamos num momento muito importante da Amazônia, principalmente de Rondônia”, destaca.
Os desafios de empreender na Amazônia
Para Adélio, o empreendedor que atua na região precisa acompanhar as transformações não apenas do mercado local, mas também da economia internacional.
“O nosso maior concorrente hoje é o mundo. Antigamente era o vizinho. Agora estamos falando de concorrentes como os Estados Unidos, Argentina, a própria China, com a parte de embargos, a parte da isolação, taxas. Isso a gente tem que conviver”, afirma.

De acordo com o empresário, existe a necessidade de modernização e de atualização diante das mudanças tecnológicas e econômicas, e o desafio de se atualizar nas políticas globais. Adélio também vê mudanças na conectividade como um fator que pode aproximar comunidades amazônicas de serviços e oportunidades.
“Hoje, com a entrada da internet através da Starlink, teve uma inclusão muito grande. A população não tem nem ideia o quanto é importante essa comunicação do homem do campo, do ribeirinho, de quem vive na Amazônia, com o mundo”, afirma.
Uma empresa construída com os colaboradores
Além da expansão dos negócios, a trajetória do Grupo Rovema também é marcada pela permanência de funcionários que acompanharam diferentes fases da empresa.
Atualmente, segundo Adélio, o grupo reúne cerca de 900 colaboradores. Para o empresário, a relação construída com os trabalhadores ao longo dos anos é parte importante da história da organização.
“E a gente tem aqui uma tradição de preservação do funcionário. Nós retemos muitos funcionários. Tem um funcionário que trabalha com a gente há uns 40 anos. Muita gente se aposentou aqui dentro. Isso é muito bom, porque a gente vai formando uma família”, conta.
Arivonil Pereira da Silva, conhecido como Ari, está há 25 anos no Grupo Rovema, e para ele, a relação profissional construída ao longo dos anos ultrapassou os limites do ambiente de trabalho. “Eu considero o Adélio um irmão meu. Porque estou 25 anos junto com ele, nas horas boas, nas horas difíceis, então a gente está junto. Adélio, pra mim, não é só Adélio”, afirma.
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Outro funcionário que acompanhou parte dessa trajetória é Fábio Barbosa, que trabalha no grupo há 21 anos. Ele conta que a estabilidade proporcionada pelo emprego também marcou a história de sua família.
“Eu lembro como se fosse hoje que eu estava querendo fazer a festa de aniversário de um ano da minha filha. Aí, em seguida, eu consegui um emprego, aí minha esposa falou: ‘Opa, então agora a gente vai fazer o aniversário da minha filha’. Então, isso é uma coisa que marca muito a minha entrada no Grupo Rovema”, conta.

A família de Adélio também foi uma parte importante na construção da empresa.
“E é assim que nos formamos. Hoje a gente tem uma família bem imensa, trabalhando não no grupo, mas na cidade, nos Estados de Rondônia. E isso faz com que a gente vá se consolidando”, destaca.
Uma história ligada à Amazônia
De um estado ainda marcado pela falta de infraestrutura e pela força do garimpo, o empresário descreve uma região que, na visão dele, passou a ocupar um novo espaço na economia brasileira. Para Adélio, esse processo precisa considerar as pessoas que vivem na Amazônia e as características do território.
“A Amazônia são nove estados brasileiros que têm aí 30 milhões de habitantes. São pessoas que vieram para cá, tem pessoas que nasceram aqui, são pessoas originárias daqui que precisam ser respeitadas”, afirma.

Ele também defende que o desenvolvimento econômico da região esteja associado à preservação ambiental e à utilização de novas tecnologias. “A preservação do meio ambiente é um objetivo de estar participando da sociedade em todos os momentos”, destaca.
Ao olhar para o futuro de Rondônia, Adélio aposta na diversificação da economia e na industrialização ligada ao agronegócio. Depois de quatro décadas à frente dos negócios, o empresário mantém a ideia de que empreender na Amazônia significa acompanhar as mudanças e encontrar novas possibilidades em cada momento.
“Eu vejo a Rondônia, assim, como sempre uma terra de oportunidades”, resume.
Adélio Barofaldi é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:
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