A pintora Lucia Laguna morreu aos 85 anos nesta terça-feira (22/9), na própria residência, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, que representava a artista. A causa da morte não foi divulgada.
Formada em Letras, Laguna dedicou parte da vida ao ensino de literatura. Após se aposentar, em 1994, passou a estudar arte e tornou-se um dos nomes de destaque da cena contemporânea brasileira.
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Nas telas, transformou a arquitetura suburbana carioca em expressão artística. A criadora deixa uma filha, Laura, e dois netos, João e Daniel.




Obra de Lucia Laguna exposta em Paris, na França, em 2018
Reprodução/InstagramLucia Laguna em 1996
Reprodução/InstagramLucia Laguna retratava telhados, lajes, muros, grades e casas da Zona Norte carioca em obras marcadas por sucessivas camadas de tinta
Reprodução/InstagramNascida em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, em 1941, a pintora desenvolveu uma técnica que chamou a atenção de críticos e do público. Ela pintava sobre fitas adesivas coladas nas telas. Depois, os pedaços de fita eram retirados e o processo, repetido. Assim, criou uma forma singular de retratar telhados, lajes, muros, grades, fios elétricos e casas da Zona Norte do Rio.
“Suas pinturas incorporam fragmentos da cidade, de casas, jardins e todo o seu entorno, transformando-se em composições complexas a partir da acumulação e do apagamento, em sucessivas camadas de tinta. Sua obra, ao mesmo tempo íntima e aberta ao mundo, ocupa um lugar fundamental na arte brasileira contemporânea”, diz a nota da Galeria.
A paisagem que observava da própria janela, em São Francisco Xavier, na capital fluminense, era uma das principais referências no momento de criação, assim como os objetos do ateliê e o jardim de casa.
A primeira exposição individual ocorreu em janeiro de 1998, no Centro Cultural Cândido Mendes, em Ipanema. Ao longo dos anos, Laguna também expôs em espaços como os Museus de Arte Moderna (MAM) do Rio e de São Paulo, o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu de Arte de São Paulo (Masp). No exterior, obras da brasileira chegaram a exposições em países como Portugal, Alemanha, França, Estados Unidos, Reino Unido e Suíça.

