Foto: Rafael Dantas
Manaus (AM) foi uma das cinco cidades do país a realizar a prova piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua. A operação, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mobilizou mais de 80 profissionais, que percorreram as ruas da capital amazonense para testar questionários e estratégias para o levantamento inédito de dados sobre esse grupo historicamente invisibilizado.
Realizada principalmente no período noturno, a atividade foi considerada um sucesso pela equipe de coordenação, que também identificou pontos de melhoria para aperfeiçoar a pesquisa oficial prevista para 2028.
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O IBGE realizou a primeira etapa de testes práticos da metodologia entre 31 de agosto e 4 de setembro de 2026 em cinco capitais: Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC) , Goiânia (GO) e Salvador (BA).
Teste confirma viabilidade da operação
A gerente de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes, que acompanhou toda a operação em Manaus, destacou a receptividade encontrada pelas equipes durante as abordagens. O trabalho permitiu testar as entrevistas nas ruas, a entrada em abrigos e os critérios utilizados para o mapeamento e a construção dos roteiros.
“A primeira prova piloto aqui em Manaus foi muito produtiva no sentido de mostrar uma alta receptividade da população em situação de rua em nos atender. A gente conseguiu também testar a estratégia de adentrar os abrigos”, afirmou Marta.
Coletiva de Imprensa
A experiência mostrou ainda que as estratégias precisam considerar as diferentes dinâmicas dentro da própria cidade. Enquanto algumas equipes encontraram grandes concentrações de pessoas, outras percorreram extensas áreas até realizar as abordagens. Para Marta, o resultado confirmou a viabilidade da operação.
“O resumo da primeira prova piloto é que o IBGE sabe, sim, fazer censo da população em situação de rua. É, sim, possível contar essa população e, ao mesmo tempo, caracterizá-la do ponto de vista sociodemográfico e econômico. Então, isso nos traz a possibilidade não só de contar, mas de retratar essa população para o exercício da sua cidadania”.
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Experiência de Manaus contribuirá para aprimoramentos
A coleta, principalmente no período noturno, trouxe desafios específicos. O tecnologista do IBGE e integrante da Coordenação Técnica do Censo Demográfico, Fernando Laudanna, destacou que a experiência permitiu identificar ajustes para as próximas etapas, especialmente no treinamento, na logística e na segurança das equipes.
Fernando Laudanna destacou os aprendizados da operação e os pontos que deverão ser aprimorados nas próximas etapas.
“A minha percepção é muito positiva. As equipes estavam bem preparadas e trabalharam muito bem, mas também identificamos questões que precisam ser aprimoradas para a segunda etapa de testes. O trabalho noturno, por exemplo, exige uma atenção especial à segurança das equipes, à logística dos veículos e à forma como a nossa atuação é identificada nos locais onde vamos realizar as entrevistas. Estamos voltando com perspectivas positivas e também muitas reflexões”, afirmou Laudanna.
Chefe de uma das equipes que percorreu as ruas de Manaus, o servidor Luan Rezende destacou que a pesquisa apresenta desafios específicos em relação a outros recenseamentos realizados pelo IBGE. A comunicação entre as equipes, a localização da população nos horários previstos nos roteiros e as condições de segurança foram alguns dos pontos observados durante a operação.
Segundo Luan, a experiência também mostrou a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de comunicação em campo e de planejar a operação considerando as características de cada área. Para ele, a segurança será um dos principais desafios do Censo de 2028, quando a coleta será ampliada para todo o território nacional.
“A questão da segurança é um problema fundamental que o IBGE tem que pensar em como fazer para mobilizar as comunidades e minimizar essas intercorrências. Essa estrutura que foi a campo com observadores não vai permanecer em 2028. Enquanto um grupo grande demais chama muita atenção, um grupo pequeno demais também apresenta um risco maior aos recenseadores”, considerou, destacando a necessidade de refletir sobre o dimensionamento das equipes.
Chefe de uma das equipes de campo, Luan Rezende acompanhou os trabalhos nas ruas de Manaus e destacou os desafios de comunicação, logística e segurança durante a operação.
Na avaliação final, coordenadores, supervisores e integrantes das equipes discutiram ainda o dimensionamento dos grupos conforme as características de cada área, o reconhecimento prévio dos roteiros, a atuação dos pontos focais, a sensibilização de instituições e atores locais e sugestões de aperfeiçoamento do questionário. As discussões servirão de subsídio para os ajustes das próximas etapas.

Reunião de avaliação apontou aperfeiçoamentos para a metodologia
Para o superintendente estadual do IBGE no Amazonas, Francisco Braz, a realização da prova piloto em Manaus representa uma contribuição do estado para a construção de uma operação de alcance nacional.
“Receber esta prova piloto em Manaus permitiu ao IBGE testar em campo uma operação inédita e, ao mesmo tempo, incorporar à construção da metodologia as particularidades encontradas na nossa cidade. O trabalho das equipes, aliado à colaboração das instituições parceiras, produziu aprendizados que poderão contribuir para o aperfeiçoamento das próximas etapas e para a preparação do Censo da População em Situação de Rua de 2028”, afirmou Francisco Braz.
Equipe aplica questionário durante a prova piloto do Censo PopRua em Manaus.
A experiência de Manaus será sucedida por novas etapas de teste. A próxima prova piloto deverá ocorrer em pelo menos 12 cidades e suas regiões metropolitanas, incluindo municípios do interior e áreas transfronteiriças, ampliando a diversidade de situações avaliadas antes da definição da metodologia nacional.
*Com informações do IBGE
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