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MPF e Ibram traçam estratégias contra garimpo ilegal e uso de mercúrio na Amazônia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
MPF e Ibram traçam estratégias contra garimpo ilegal e uso de mercúrio na Amazônia

Garimpo ilegal encerrado pela Operação Brasil Verde. Foto: Reprodução/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) realizou uma reunião virtual com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para debater soluções e estratégias de enfrentamento à mineração ilegal na região amazônica. O encontro focou no impacto econômico do garimpo clandestino, no avanço dos sistemas de rastreabilidade mineral e em alternativas tecnológicas viáveis para a eliminação do uso de mercúrio na extração do ouro.

O procurador da República André Luiz Porreca reforçou que, embora a mineração legalizada receba amparo jurídico e atue como motor de desenvolvimento econômico, o setor sofre gravemente com a concorrência desleal do mercado ilícito.

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Como a maior parte da produção mineral do país é voltada à exportação, os impactos negativos causados pelo crime organizado impactam negativamente na reputação do setor no mercado internacional.

Monitoramento do garimpo

O presidente do Ibram, Pablo Silva Cesário, destacou que o combate ao garimpo ilegal é prioridade máxima da instituição, chamando a atenção para o cenário atual do ouro onde a produção ilegal do metal atinge quase metade de todo o volume extraído no país.
Para conter o avanço das irregularidades, o instituto detalhou as frentes tecnológicas e institucionais de trabalho.

A primeira delas é uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) no desenvolvimento de um sistema de monitoramento via satélite. A plataforma faz o cruzamento em tempo real de dados de direitos minerários, licenciamentos ambientais e guias de recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), identificando imediatamente invasões e lavras clandestinas em terras indígenas e unidades de conservação.

O Ibram também apresentou ação ao Supremo Tribunal Federal STF) para suspender o princípio da “boa-fé objetiva” na aquisição do ouro, medida que reduziu sensivelmente o escoamento do minério ilegal para o mercado formal. Contudo, o presidente alertou que a alta valorização do ouro no mercado internacional mantém aquecido o incentivo financeiro para as redes criminosas.

Leia também: Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

Substituição do mercúrio

Durante a reunião, o procurador da República André Luiz Porreca questionou sobre a viabilidade de métodos alternativos ao uso do mercúrio para cooperativas em processo de regularização. O diretor de Assuntos Minerários do Ibram, Julio Cesar Nery Ferreira, sugeriu a transição para processos químicos e físicos mais eficientes tais como a cianetação e os métodos físicos, como as centrífugas.

O procurador da República ressaltou, ainda, dois grandes gargalos para essa transformação: a total ausência de linhas de financiamento específicas para a transição tecnológica em bancos públicos e a severa barreira cultural existente entre gerações de garimpeiros que ainda não reconhecem os riscos crônicos gerados pelo manejo do mercúrio.

Imagem colorida mostra processo de garimpagem feito com mercúrio na Amazônia - garimpo ilegal
Processo de garimpagem. Foto: Divulgação/ RVS-RCP

Para combater a falta de apoio, o Ibram informou estar estruturando um convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para prestar assistência técnica e jurídica (auxílio em licenciamentos e desenvolvimento técnico) aos mineradores que buscam a legalidade.

Infraestrutura do crime

A infraestrutura logística do crime também esteve em pauta. O MPF informou que monitora de perto, por meio de ações judiciais e em consonância com o programa Ouro Alvo da Polícia Federal, mais de mil pistas de pouso não homologadas espalhadas pela Amazônia. Em apoio, o Ibram disponibilizou sua estrutura técnica para colaborar com investigações privadas destinadas a mapear cadeias societárias e rastrear redes de apoio logístico ao crime.

A maior preocupação mútua no momento recai sobre os riscos do Projeto de Lei nº 3025/2023, aprovado na Câmara dos Deputados, que institui um novo marco legal para o controle e a rastreabilidade do ouro no Brasil. Os participantes alertaram que a proposta pode restabelecer a “boa-fé objetiva” a partir de mera autodeclaração no primeiro ponto de compra, abrindo uma enorme brecha para a lavagem de ouro ilegal e inviabilizando a fiscalização.

O Ibram formou uma coalizão com entidades ambientalistas e indigenistas para sensibilizar o Senado Federal sobre os riscos técnicos e de corrupção no processo legislativo. O procurador informou que a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR) do MPF acompanha de perto a tramitação e está elaborando uma nota técnica sobre o o projeto de lei.

*Com informações do MPF

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