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Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa em Macapá

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Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa em Macapá

Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

Uma família de Macapá (AP) mantém, há cerca de 6 anos, uma criação com mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa. A prática da meliponicultura, criação de abelhas nativas, começou durante a pandemia da Covid-19 e reúne três espécies diferentes.

No meliponário da família em Macapá, destacam-se espécies locais como a uruçu-cinzenta e a uruçu-amarela, que estão entre as mais cultivadas por criadores da região devido à boa adaptação.

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O projeto concilia a preservação ambiental com a produção de um mel de alto valor comercial e medicinal. O Brasil abriga cerca de 250 espécies de abelhas sem ferrão espalhadas por diferentes ecossistemas. Na Amazônia, o cenário é propício para o mercado regional.

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

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Origem na pandemia

A iniciativa ganhou força com o engenheiro eletricista e meliponicultor Takao Meguro Portal, que retornou de São Paulo para o Amapá no período de isolamento social. A princípio, o mel era voltado para o consumo da mãe dele na culinária e no tratamento de sequelas respiratórias causadas pelo coronavírus.

Engenheiro eletricista e meliponicultor Takao Meguro Portal. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

O interesse pela criação doméstica surgiu de família, já que o pai de Takao tinha experiência anterior com o manejo de abelhas com ferrão da espécie Apis mellifera.

“Essas abelhas nativas são manejadas desde o tempo do povo maia, que foi um dos primeiros códices de meliponicultura do mundo. Elas já existiam antes das abelhas europeias, que ingressaram aqui na América. O mel desse tipo de abelha era utilizado nas bebidas sagradas dos maias e tem uma propriedade medicinal muito, muito potente”, destaca Portal.

Rotina e cuidados no manejo

Manter um meliponário em casa exige uma rotina rigorosa de vistorias. O produtor alerta que as abelhas são sensíveis e suscetíveis a pragas.

“A gente tem que tomar muito cuidado ao trazer uma colmeia para dentro do meliponário. Respeitem o período de quarentena. O manejo tem que ser feito com muita atenção. Eu sempre aconselho ao meliponicultor que está ingressando na área: faça um curso para não errar em nenhuma manobra, porque é um bicho muito sensível”, recomenda.

O processo de produção exige paciência. A partir da divisão de uma colmeia considerada “matriz”, leva-se cerca de três meses de manejo adequado para que o enxame ganhe força.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá
Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP

Só depois desse período são instaladas as melgueiras — módulos superiores da caixa onde as abelhas começam a depositar o mel.

O sabor e a coloração do produto não dependem apenas da espécie da abelha, mas principalmente da florada da estação. As variações das flores na região determinam se o mel será mais claro, escuro, mais doce ou com notas ácidas a cada colheita.

Regras e limites por lei

Para quem deseja iniciar na atividade dentro de áreas urbanas, o criador faz um alerta importante: embora não possuam ferrão, as abelhas têm mecanismos próprios de defesa e são animais delicados. A recomendação é buscar capacitação técnica antes de adquirir os enxames.

Além disso, Portal reforça que os ninhos nunca devem ser retirados diretamente da natureza, exceto em casos de resgate, como quando uma árvore cai e o enxame corre risco de morrer.

Família cria mais de 20 colmeias de abelhas sem ferrão no quintal de casa, em Macapá. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica

A legislação brasileira também impõe limites: criadores amadores podem manter até 49 caixas em casa. Para plantéis que ultrapassem esse número, é obrigatório obter autorizações e licenças junto aos órgãos ambientais.

*Por Isadora Pereira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP

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