Foto: Reprodução/Amazon Sat
A Romaria das Águas entre Manaus e Parintins, no Amazonas, é uma das manifestações religiosas da Amazônia realizada durante os festejos de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da ilha tupinambara, como é conhecido o município parintinense. A celebração reúne centenas de embarcações e milhares de fiéis em uma viagem pelo Rio Amazonas que mistura devoção, arte e cultura regional.
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Idealizada em 2009 pelo artista plástico parintinense Juarez Lima, a romaria cresceu ao longo dos anos e passou a integrar o calendário religioso e cultural do Amazonas. Confira cinco curiosidades que ajudam a explicar a importância desse evento:
1. A Romaria das Águas nasceu de uma promessa feita por Juarez Lima
Pouca gente sabe, mas a origem da Romaria das Águas está ligada a uma promessa. Devoto de Nossa Senhora do Carmo, Juarez Lima criou o cortejo em 2009 após atribuir à intercessão da santa a recuperação de um amigo que havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). E esse amigo era Jair Mendes, artista plástico que teve passagem pelos dois bois de Parintins, mas que passou maior a parte da vida no Garantido e contribuiu para as apresentações do boi da Baixa do São José implementando movimentos às alegorias na década 70.

Ao contrário de Jair Mendes e embora tenha passado pelos dois bois, Juarez Lima é mais conhecido pelos trabalhos feitos pelo Caprichoso. Os dois competiram um contra o outro em vários festivais, mas nunca deixaram de ser amigos. Juarez também contribuiu com as melhorias dos bois, pois ele foi o primeiro a implementar ferros nas alegorias durante o Festival.
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Já o gesto de gratidão e fé dos dois amigos deu origem a uma procissão fluvial que, ano após ano, transformou-se em um dos maiores eventos religiosos da Amazônia e em um dos principais legados deixados pelo artista parintinense Juarez Lima.
2. A imagem da santa passou a viajar de Manaus até Parintins
Durante os primeiros anos, a Romaria das Águas era realizada apenas nas proximidades de Parintins. A partir de 2021, a celebração ganhou um novo formato e a imagem peregrina de Nossa Senhora do Carmo passou a sair de Manaus em direção à Ilha Tupinambarana.
A travessia percorre aproximadamente 369 quilômetros pelo Rio Amazonas e dura cerca de 18 horas, reunindo embarcações de romeiros que acompanham a imagem durante todo o percurso até a chegada em Parintins
3. A Romaria das Águas é considerada uma das maiores procissões fluviais da Amazônia
Ao longo de mais de uma década, a Romaria das Águas deixou de ser apenas uma promessa pessoal e passou a reunir milhares de fiéis, turistas e embarcações todos os anos.
O evento é apontado como uma das maiores procissões fluviais da Amazônia, sendo a maior em extensão, e tem ganhado reconhecimento institucional. Em 2026, inclusive, foi apresentado na Câmara Municipal de Parintins um projeto para reconhecer oficialmente a Romaria das Águas como patrimônio cultural imaterial do município, valorizando a tradição criada por Juarez Lima e sua importância para a história da cidade.
4. Artistas dos bois Caprichoso e Garantido trabalham juntos na romaria
Embora sejam rivais na arena do Festival Folclórico de Parintins, artistas dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido deixam a disputa de lado para participar da confecção das esculturas e alegorias da Romaria das Águas.
A união dos profissionais tornou-se uma das características mais simbólicas da celebração, mostrando que a devoção à padroeira supera a rivalidade folclórica e reforça a identidade cultural da ilha.
5. A Romaria das Águas integra oficialmente a programação da Festa de Nossa Senhora do Carmo

O que começou como uma demonstração de fé idealizada por Juarez Lima passou a fazer parte da programação oficial da Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Hoje, a procissão fluvial marca um dos momentos mais aguardados das celebrações religiosas, reunindo romeiros, embarcações e fiéis de diferentes municípios do Amazonas no mês de julho, sendo o dia 16 deste mês o dia da padroeira.
A chegada da imagem peregrina à cidade é acompanhada por uma grande recepção às margens do Rio Amazonas, seguida de uma programação religiosa organizada pela Diocese de Parintins, reforçando a importância da Romaria das Águas como uma tradição de fé incorporada às festividades da padroeira. Essa integração ajudou a consolidar o evento como um dos principais símbolos do turismo religioso na Amazônia.
Vamos Brincar de Boi
O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
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