O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nessa quinta-feira (2/7) um conjunto de iniciativas voltadas à restauração florestal, à bioeconomia e ao mercado de carbono, reforçando a estratégia de transformar a agenda climática em vetor de desenvolvimento.
As medidas foram apresentadas durante o Brasil Mais Verde – 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, na sede do Banco, com a presença de ministros de Estado e de lideranças dos setores público e privado.
Entre as iniciativas estão a segunda etapa do ProFloresta+, que pretende mobilizar até R$ 6 bilhões por meio do maior leilão de créditos de carbono de restauração do país; um edital de R$ 618,75 milhões para recuperar 12,5 mil hectares de áreas degradadas na Bacia do Rio Doce; e uma chamada pública do Fundo Amazônia, com até R$ 230 milhões para fortalecer negócios da sociobioeconomia na Amazônia Legal.
As discussões reforçaram o papel da transformação ecológica como política de desenvolvimento, capaz de atrair investimentos, gerar empregos, ampliar a competitividade da indústria e fortalecer a segurança energética.
“Não é possível avançar sem preservar os recursos naturais estratégicos. A biodiversidade, a água e os oceanos devem estar no centro das políticas públicas e das decisões de investimento”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “A agenda da sustentabilidade deve orientar a política de crédito e desenvolvimento do Banco. Temos orgulho em compartilhar que o BNDES é a instituição que mais financiou projetos de energia limpa na história do Brasil.”
Além de Mercadante, o encontro reuniu os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco; e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fernando Elias Rosa. Contou ainda com o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e com representantes do setor produtivo e especialistas.
“Durante muito tempo, as agendas de meio ambiente e desenvolvimento foram tratadas como imiscíveis e o esforço que fizemos foi de integrar essas agendas, sem que uma se sobrepusesse à outra. Essa construção é estruturante e começou na transição de governo, quando recriamos a Secretaria de Mudança do Clima, criamos a Secretaria de Bioeconomia e a Secretaria de Povos e Comunidades Tradicionais, e começamos a parceria fundamental com o BNDES”, ressaltou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
Um dos principais destaques do fórum foi a ampliação do ProFloresta+, iniciativa estruturada pelo BNDES para dar escala à restauração ecológica por meio da geração e compra de créditos de carbono de alta integridade.
A nova etapa prevê restaurar até 60 mil hectares de áreas degradadas, remover cerca de 19 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e estruturar um mercado capaz de mobilizar até R$ 6 bilhões em investimentos privados.
“Na primeira fase, mostramos que o modelo funciona. Agora, damos um passo além: estamos criando um mercado organizado de compra de créditos de carbono de restauração, reunindo empresas interessadas, estruturando contratos de alta integridade e financiando projetos capazes de recuperar áreas degradadas em todos os biomas brasileiros”, explicou Mercadante.
Restauro da Bacia do Rio Doce
Além da ampliação do ProFloresta+, o Banco lançou, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, um edital de R$ 618,75 milhões para restaurar áreas degradadas na Bacia do Rio Doce. A iniciativa deve recuperar 12,5 mil hectares em Minas Gerais e no Espírito Santo.
“Os impactos do rompimento da barragem de Fundão não são apenas ambientais, mas também socioeconômicos. Com o Restaura Rio Doce, vamos conciliar restauração ecológica e regularização ambiental com a geração de emprego e renda, o fortalecimento da segurança hídrica e alimentar e a melhoria da qualidade de vida, promovendo um desenvolvimento justo e equitativo da região”, ressaltou o presidente do BNDES.

Outra iniciativa anunciada pelo BNDES e pelo MMA foi o edital Prospera Amazônia, que destinará entre R$ 185 milhões e R$ 230 milhões do Fundo Amazônia ao fortalecimento de negócios comunitários da sociobioeconomia em todos os estados da Amazônia Legal.
A ação selecionará organizações com atuação territorial para prestar assistência técnica e gerencial a associações, cooperativas, coletivos e empreendimentos que atuam com produtos e serviços da sociobiodiversidade.
A iniciativa prevê a implantação de estruturas de apoio em nove Territórios da Sociobioeconomia, distribuídos em sete lotes, com potencial para alcançar até 106 municípios da Amazônia Legal e fortalecer ao menos 180 negócios comunitários.
O suporte incluirá capacitação, assessoria para gestão, regularização documental e ambiental, certificação, agregação de valor, acesso a crédito, políticas públicas e mercados.
“O Prospera Amazônia parte de uma visão essencial: a economia da floresta precisa ser construída com protagonismo de quem vive nos territórios. Ao fortalecer organizações locais, cooperativas, associações e empreendimentos comunitários, o Fundo Amazônia ajuda a criar condições para que produtos da sociobiodiversidade ganhem escala, qualidade, mercado e renda, sem abrir mão da conservação”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
O fórum Brasil Mais Verde também foi palco do lançamento de outra iniciativa com impacto direto sobre populações que vivem da floresta amazônica e atuam historicamente na conservação: a Manejando a Amazônia – Bioeconomia, recuperação florestal e informações para o uso sustentável da floresta.
Parceria do BNDES com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), vinculado ao MMA, ela destinará R$ 125,9 milhões do Fundo Amazônia a ações estruturantes para promover o uso sustentável, o manejo e a recuperação das florestas na Amazônia Legal.
“A Amazônia precisa de uma economia que gere renda com a floresta em pé. Esse projeto fortalece quem vive nos territórios, amplia o manejo sustentável, apoia a recuperação de áreas degradadas e melhora a inteligência pública sobre as florestas. É desenvolvimento com inclusão, conservação e combate ao desmatamento”, frisou Aloizio Mercadante.

