Últimas

Amazonas/ZFM, baixos IDH-M evidenciam fortes gargalos ao desenvolvimento econômico e social

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

Foto: Reprodução/Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é uma medida criada pela ONU que avalia a qualidade de vida e o desenvolvimento de uma população. Varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. Está dividido nas seguintes faixas: Baixo (< 0,550), Médio (0,550-0,699), Alto (0,700-0,799) e Muito Alto (≥ 0,800). O cálculo econométrico é baseado em três pilares fundamentais: Saúde, medida pela expectativa de vida ao nascer; Educação, avaliada pelos anos de estudo e Renda, como função do padrão de vida da população, estruturado sobre a renda per capita.

O objetivo da criação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Os dados foram divulgados, em maio passado, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o IBGE.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

De acordo com relatório da ONU, o índice é calculado anualmente. Desde 2010, a série histórica é recalculada devido ao movimento de entrada e saída de países e às adaptações metodológicas, o que possibilita uma análise de tendências. Aos poucos, o IDH tornou-se referência mundial em substituição ao PIB por tratar-se de um índice-chave dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas (ODS). No Brasil, deveria estar sendo utilizado pelo governo federal e por administrações regionais através do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) com maior profundidade. O IDH-M do Amazonas, 0,767, é considerado alto, porém puxado pelo IDH-M de Manaus (0,737). O índice, contudo, mascara uma desigualdade regional profunda.

Além da capital, Itacoatiara (57,14), Tefé (56,72), Presidente Figueiredo (56,24) e Parintins (55,90) figuram entre os municípios com melhor desempenho. Na outra ponta do ranking estão Itamarati (46,37), Juruá (44,93), Maraã (43,97) e Pauini (43,96), municípios que enfrentam desafios mais acentuados relacionados à insuficiência de serviços públicos, infraestrutura e conectividade, realidade próxima de países africanos em condição extrema de miséria.

O quadro se repete em relação ao coeficiente de Gini, indicador que mede a desigualdade na distribuição de renda, variando de 0 (igualdade máxima) a 1 (desigualdade máxima). No Brasil, o índice é de 0,511. No Amazonas, a desigualdade é de 0,474, inferior à média nacional. Os dados mostram ainda que o Estado apresenta o menor desempenho médio entre os estados da Amazônia Legal no Índice Geral dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (iODS).

Com média de 51,5 pontos, o Amazonas, por outro lado, encontra-se posicionado abaixo da média dos 772 municípios analisados na Amazônia Legal, com índices de 55,5 pontos. O resultado evidencia contundentes desafios enfrentados pelo Estado e a ZFM no cumprimento das metas da Agenda ODS 2030, da ONU, especialmente em setores relacionados a serviços públicos e infraestrutura.

Fortes inconsistências consolidadas, não obstante êxitos pontuais do modelo ZFM, que concentra mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) de todo o Estado (R$187 bilhões), porém inferior ao faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM), que bateu recorde histórico e fechou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 227,67 bilhões, 11,02% superior ao de 2024.

Para o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, “o resultado reflete a forte concentração demográfica e econômica em Manaus e as dificuldades enfrentadas pelos municípios do interior”. Segundo ele, “a capital reúne a maior parte da população, da atividade econômica, da arrecadação pública e da geração do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, enquanto grande parte dos municípios amazonenses enfrenta limitações históricas relacionadas à infraestrutura, conectividade, educação, saúde, saneamento e oportunidades econômicas”.

Por conseguinte, diversificação, integração setorial e perenização o dramático desafio que se coloca como resultado de investimentos em inovação tecnológica na construção de nova matriz econômica que deverá promover a integração da economia do Amazonas e da Zona Franca de Manaus (ZFM) por meio da construção de nova matriz econômica, autóctone, compreendendo o Polo Industrial de Manaus (PIM); o Agropecuário, de Biotecnologia e de uma Plataforma de Exportações. Não mais é possível ficar dando tempo ao tempo à espera de 2073.

Leia também: Falácia da ZFM como fator de preservação florestal

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

O post Amazonas/ZFM, baixos IDH-M evidenciam fortes gargalos ao desenvolvimento econômico e social apareceu primeiro em Portal Amazônia.

Amazonas/ZFM, baixos IDH-M evidenciam fortes gargalos ao desenvolvimento econômico e social — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado