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Guia inédito mapeia 141 espécies exóticas invasoras na Amazônia Legal

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Guia inédito mapeia 141 espécies exóticas invasoras na Amazônia Legal

Foto: Reprodução/Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sínteses da Biodiversidade Amazônica (INCT SinBiAm) lançou o livro Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal. A publicação foi disponibilizada gratuitamente nos sites https://inct-sinbiam.org/ e https://ppbio.inpa.gov.br/.

O guia reúne informações sobre espécies exóticas invasoras registradas na Amazônia Legal. A obra apresenta dados sobre origem, formas de introdução, ambientes de ocorrência, impactos e características que ajudam na identificação dessas espécies. O livro foi organizado para apoiar gestores de unidades de conservação, parques, órgãos ambientais, tomadores de decisão, professores, estudantes, pesquisadores e a sociedade em geral.

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Espécies exóticas invasoras (EEI) são organismos introduzidos fora de sua área natural de ocorrência por ação humana, de forma intencional ou acidental.  Ao se estabelecerem e proliferarem, essas espécies geram graves impactos ambientais, econômicos, sociais e de saúde pública. Na Amazônia, o tema é crítico e requer atenção, pois a introdução e a expansão dessas espécies podem afetar a biodiversidade nativa, alterar ecossistemas, dificultar ações de restauração e criar novos desafios para a gestão ambiental.

A publicação foi elaborada como produto do INCT SinBiAm e contou com a colaboração de diferentes redes de pesquisa que atuam na Amazônia, entre elas, a Rede Amazônia Oriental (Rede AmOr) – que integra os projetos PELD-AmOr, PPBio-AmOr, BIF-Amor, e FlorAmOr, o CENBAM, o PPBio Amazônia Ocidental (PPBio AmOc), o Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia (CAPACREAM).

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O trabalho também recebeu apoio de diversos pesquisadores, especialistas e instituições que contribuíram para a atualização das informações e para a construção de uma base colaborativa sobre o tema. O guia foi construído a partir de informações científicas já disponíveis, incluindo a lista publicada por Rafael D. Zenni e colaboradores em 2024, e de duas consultas públicas conduzidas pelo INCT SinBiAm.

As consultas reuniram especialistas, pesquisadores e colaboradores de diferentes áreas e regiões do Brasil, para trocar informações sobre EEI presentes na Amazônia Legal. O processo resultou na compilação de uma lista com 141 espécies, sendo 82 animais e 59 plantas.

Para Leandro Juen, professor da Universidade Federal do Pará e coordenador do INCT SinBiAm, o guia evidencia a importância da cooperação entre redes científicas, gestores e instituições amazônicas. “Problemas complexos na Amazônia exigem esforços integrados. A construção deste guia mostra que a união de redes de pesquisa, órgãos de gestão e especialistas pode gerar conhecimento aplicado, apoiar a tomada de decisão e contribuir para a conservação e a restauração dos ecossistemas amazônicos”, afirma.

Para Igor Yuri Fernandes, um dos organizadores da obra, o processo de consulta foi uma etapa central para tornar o guia mais representativo.

“A construção do guia envolveu a organização de informações científicas e a escuta de especialistas e não especialistas que trabalham com diferentes grupos biológicos e regiões da Amazônia Legal. As consultas públicas ajudaram a revisar registros, validar informações e ampliar a colaboração entre pessoas e instituições que já atuam nesse tema”, afirma.

Guia inédito mapeia 141 espécies exóticas invasoras na Amazônia Legal
Imagem: Reprodução

A publicação também tem potencial para apoiar ações de gestão pública. O material pode contribuir para a identificação de espécies, o planejamento de ações de prevenção, o monitoramento em campo e a elaboração de estratégias para reduzir os impactos sobre ambientes naturais e áreas em restauração.

Segundo Nívia Glaucia Pinto Pereira, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO-UFPA) e gestora na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, SEMAS/PA, o guia pode fortalecer a resposta institucional a um problema que já afeta diferentes áreas da Amazônia.

“As espécies exóticas invasoras representam um desafio para a gestão ambiental, especialmente em uma região extensa e diversa como a Amazônia Legal. Um material de consulta com linguagem acessível e base científica pode apoiar a identificação dessas espécies e orientar ações de prevenção, controle e mitigação”, destaca.

Para Clarissa Rosa, a articulação entre diferentes redes foi essencial para a consolidação da publicação. “A Amazônia Legal tem dimensões continentais e uma grande diversidade de ambientes. Nenhuma instituição consegue enfrentar sozinha um tema dessa escala. A colaboração entre redes amplia a cobertura geográfica, melhora a qualidade das informações e cria uma base mais sólida para futuras ações de pesquisa, monitoramento e gestão”, afirma.

Filipe Machado França destaca que o trabalho reforça o papel das redes de pesquisa na transformação de dados em produtos úteis à sociedade. “A realização de pesquisas por meio de redes colaborativas permite integrar informações e diferentes formas de saber, bem como aproximar especialistas e tomadores de decisão na produção de evidências que podem informar gestores, estudantes, professores e comunidades locais. Esse tipo de produto amplia o alcance da ciência e fortalece a capacidade de resposta aos desafios atuais”, afirma.

O guia também pode ser usado em atividades de ensino, pesquisa e extensão. A professora Thaisa Sala Michelan ressalta que a prevenção é uma das principais estratégias para enfrentar o problema. “A introdução de espécies exóticas invasoras pode gerar impactos difíceis de reverter. Por isso, ferramentas como este guia são importantes para ampliar o conhecimento público, apoiar a educação ambiental e subsidiar políticas que reduzam novas introduções e favoreçam respostas mais rápidas”, afirma.

A obra apresenta fotografias, ilustrações, mapas de ocorrência, informações sobre impactos e dicas de identificação. O formato didático e a linguagem simples facilitam o uso em escolas, universidades, comunidades tradicionais, cursos de formação, atividades de educação ambiental e ações de divulgação científica.

A publicação foi realizada pelo INCT SinBiAm, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MCTI, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, FAPEAM. Também contou com apoio do PPBio Amazônia Ocidental, INCT CENBAM, PPBio Amazônia Oriental, PELD-AmOr, CAPACREAM, projetos BIF-AmOr, FlorAmor, PanTropIn (UKRI FLF) e Instituto de Biodiversidade e Conservação da Amazônia (IBCAM).

*Com informações da UFPA

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