Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
O Solar da Beira, edifício histórico encravado no coração do Complexo do Ver-o-Peso, em Belém (PA), foi palco no dia 23 de abril de uma reunião que pode marcar um novo capítulo na história dos feirantes do Ver-o-Peso. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes dos 28 setores da Feira do Ver-o-Peso se encontraram para discutir a proposta de ‘Registro das práticas, saberes e tradições’ dos trabalhadores como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
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A iniciativa parte dos próprios feirantes, organizados pelo Instituto Ver-o-Peso com o objetivo de obter o reconhecimento dos saberes, os ofícios e as memórias que fazem da feira um organismo vivo, pulsante e insubstituível na cultura paraense.
Para a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, a reunião foi produtiva e sanou muitas dúvidas dos feirantes.
“Eles agradeceram muito o Iphan pela ida ao Ver-o-Peso, conseguimos reunir muitos feirantes, e muitas categorias estavam presentes. Foi um encontro muito produtivo”, disse.
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Além do tombamento: o que muda com o registro
A distinção técnica foi explicada durante a reunião pelo técnico do Iphan, Cyro Lins. O conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso já conta com proteção federal desde 1977.
Enquanto o tombamento protege o bem físico (material) — as edificações, a paisagem, a estrutura —, o Registro incide sobre as práticas culturais, os saberes tradicionais e os modos de fazer transmitidos de geração em geração (imaterial).
No caso do Ver-o-Peso, a proposta é pela inscrição no Livro de Registro dos Lugares, que reconhece espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas de referência para uma comunidade.
Esse feito não é inédito. Feiras como a de Caruaru, em Pernambuco, e a de Campina Grande, na Paraíba já percorreram essa trilha e hoje são patrimônios imateriais brasileiro.

A voz de quem faz a feira acontecer
Na sala do Solar da Beira, erveiras, farinheiros, boieiras — como são chamadas as cozinheiras tradicionais — e representantes da feira do açaí e do artesanato dividiram o mesmo espaço para falar sobre o que fazem há décadas.
Os relatos trouxeram à tona tanto o peso cultural de suas atividades quanto as dificuldades crescentes para manter os ofícios vivos diante das pressões econômicas e das transformações urbanas.
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Próximos passos
Ao fim da reunião, ficou definido que o grupo de feirantes presentes se reunirá para organizar as informações necessárias e dar início formal ao pedido de registro.
O Iphan acompanhará o processo, oferecendo suporte técnico para que os saberes de erveiras, farinheiros, boieiras e tantos outros que constroem, diariamente, a identidade do Ver-o-Peso possam ter o registro.
*Com informações do Iphan
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