O argentino Nahuel Jeremias Maldonado teve liberdade provisória concedida pela Justiça de Minas Gerais após audiência de custódia nesta quinta-feira (30). Ele é suspeito de cometer atos racistas em jogo na última terça-feira (28), no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte.
Após o jogo, o homem foi preso em flagrante. O juiz responsável considerou a prisão legal, porém, decidiu por conceder a liberdade provisória, sem fiança, ao autor.
Foi considerado que a prisão preventiva é uma medida excepcional e não se mostrou necessária para garantir a ordem pública no momento. Além disso, Nahuel é primário e não possui outros registros criminais. Apesar da soltura, foram impostas medidas restritivas ao suspeito.
O argentino deverá usar tornozeleira eletrônica por 90 dias, ficar em recolhimento domiciliar noturno em dias úteis (das 20h às 6h) e integral aos fins de semana e feriados, respeitar a proibição de frequentar o estádio por seis meses, além de manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos do processo.
O pedido de soltura foi expedido sob a condição de que o Nahuel instale a tornozeleira eletrônica imediatamente. Caso descumpra qualquer uma das medidas, o benefício pode ser revogado, resultando em prisão preventiva.
Como ocorreu o crime?
Durante uma partida entre Cruzeiro e Boca Juniors na Libertadores, Nahuel foi visto realizando gestos que simulavam um macaco em direção aos torcedores brasileiros.
Um profissional da imprensa e um segurança do evento presenciaram o ato de injúria racial. Um segundo segurança relatou ter sido avisado pelo membro da imprensa sobre o ocorrido.
Segundo relatos, além de “imitar macaco”, ele realizava movimentos com as mãos próximas à orelha e alisava os braços, se referindo à cor da pele.
No dia do ocorrido, segundo o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), o investigado foi identificado e conduzido por agentes de segurança do estádio, sendo preso em flagrante na 2ª Central Estadual de Plantão Digital.
O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), por meio do Grupo Nacional de Combate à Violência nos Estádios (GNCOVE), divulgou uma nota de repúdio ao episódio de racismo.
A nota aponta que o caso, que resultou na prisão de um torcedor argentino, reforça a necessidade de vigilância constante e de atuação firme das instituições para coibir práticas que atentam contra a dignidade humana e a convivência pacífica nos espaços esportivos.
Tanto o MPMG quanto o GNCOVE acompanham o caso e reafirmam o compromisso de combater todas as formas de racismo, intolerância e discriminação.
*Sob supervisão de AR.

