Da direita para esquerda, Jandira Sena Bazzi e Akil Khalil Ayoub Bazz. Foto: Acervo pessoal/Abrahim Baze
Ao chegarem em Manaus esses imigrantes adotaram estratégias semelhantes de inserção na economia do município, em especial no comércio da cidade, estabelecendo-se em setores da economia, em que cujos recursos de investimentos eram limitados, o que consequentemente tornavam-se difíceis suas entradas neste meio naquela época.
Esses imigrantes se localizavam em espaços de alugueis baratos, conjugando moradia e comércio o que tratava-se de uma solução única e conveniente. Foi assim em todo Brasil e, em Manaus também era comum particularmente no Bairro dos Remédios. Com o fim do século XIX, nas primeiras décadas do século XX, milhares de homens e mulheres de nacionalidade árabe proveniente de diversas regiões do Oriente Médio em particular do Líbano, Síria e Palestina num período mais moderno, onde essas chegadas e adaptação constituíram um importante momento de nossa história.
Foi o caso de meu pai Akil Khalil Ayoub Bazzi, nascido na cidade de Bent-Jbeil, Líbano, no dia 4 de junho de 1905, filho de Khalil H. Bazzi e Noga Bazzi. Aporta no Brasil, em Belém no estado do Pará, em 10 de janeiro de 1928, permanecendo por um período e embarcando a Manaus em 29 de maio de 1929, ele trouxe consigo seu filho Amim Ayoub Bazzi.
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Aqui chegando instala-se na Rua Pedro Botelho em uma pequena estância. Na casa em frente residia seu patrício Abrahim Menassa que, a essa altura já transitava os caminhos da prosperidade na cidade e, ajuda meu pai a iniciar sua vida como comerciante sendo camelô, ajudando financeiramente e tornando-se bons amigos. Com o passar do tempo, meu pai amealhando alguns recursos, abre seu comércio com a venda de tecidos e derivados, na Rua Joaquim Nabuco, esquina com Sete de Setembro. Destacando-se assim, a grande importância de Abrahim Menassa com amizade e apoio ao meu pai.
Já em Manaus conheceu a jovem Jandira Sena Bazzi com quem casou-se e trouxe ao mundo os filhos: Nilo Sena Bazzi, Ali Sena Bazzi e Abrahim Sena Baze. Lembro-me com frequência que às 15 horas da tarde eu e minha mãe atravessávamos a rua para fazer um pequeno lanche na casa de dona Alice Menassa, esposa de Abrahim Menassa. Foi um período grandioso em nossa cidade. Ah! Manaus, quanta saudade daquelas tardes alegres na casa dos Menassa. Perdoe-me a pretensão de querer ver-te na sedução do teu passado. Também te vejo nem por isso menos querida em estamparia de chita, a seduzir a sonolência da cidade velha, com a frivolidade do teu comércio pujante.
É de fato a volta de uma Manaus a luz de lamparinas e lampiões perdendo seu brilho para o sol que acabara de nascer, reduzindo o frenesi de suor na pele morena de tuas meninas moças com forte lembrança da Grã-finagem que ali se reunia para jogar conversa fora. As duas famílias amigas preservaram os retratos, guardaram suas ruínas, recolheram os pedaços e a partir deles foi possível reconstruir o seu passado. Abrahim Menassa, Alice Menassa, Akil Khalil Ayoub Bazzi e Jandira Sena Bazzi, partiram para outra vida, mas, deixaram fotografado na mente daqueles que os conheceram, retratos variados, a lembrança da beleza dos tempos de antanho.
Sonhar e acreditar, dessas duas qualidades resultam as realizações sociais de um homem e os afazeres do espírito humano, fatores indispensáveis para a perpetuação das aspirações enobrecedoras e a construção de possibilidades efetivas para a existência humana. Na verdade Akil Khalil Ayoub Bazzi forjou novos padrões, valores e atitudes sobre a vida, a sociedade em que viveu muito especialmente com a família. Esses caminhos que se descortinam resultaram de seu entusiasmo da fé e da crença do seu trabalho, cuja, mão amiga foi de Abrahim Menassa.
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Ao ser humano foi dado o desafio de navegar as agitadas águas do tempo. Viver é vencer as provações que a existência nos impõem cotidianamente e cumprir com altivez e dignidade a travessia, inclusive ajudando seus irmãos também a atravessar. Afinal, o que é a vida se não vencer as distâncias e os limites. E depois? – Depois retornar a fonte originaria onde a correnteza da vida brota e onde reinam os mistérios da providência divina. Compreender este milagre e esse enigma é condição indispensável para uma existência enriquecedora e feliz, especialmente para aqueles que passaram entre nós procurando fazer o bem.
Foi em um momento muito especial o lançamento da exposição fotográfica de Jacques Menassa em que tive oportunidade de fazer um discurso, retratando uma parte de minha infância, com meus pais e da família Menassa. Naquela ocasião acontecia a exposição do nobre amigo e intelectual Jacques Menassa.

Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
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