A senadora paraguaia Yolanda Paredes (Partido Cruzada Nacional, direita), opositora ao governo do presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita), pediu, nesta 5ª feira (5.nov.2026), a expedição de um mandado de prisão contra o mandatário, nos mesmos moldes dos expedidos contra dirigentes investigados no caso do Ueno Bank.
Yolanda Paredes se opôs publicamente à renúncia anunciada por Peña horas antes. Segundo a senadora, a medida tinha como objetivo preservar a imunidade parlamentar do presidente paraguaio.
“Quero declarar publicamente que nós, da bancada democrática, rejeitamos categoricamente essa renúncia. O processo de impeachment foi instaurado esta manhã, conforme determina a Constituição Nacional. Se Santiago Peña pretendia interrompê-lo, deveria ter renunciado previamente. […] Uma vez iniciado o processo, não há previsão legal para o seu bloqueio. O Senado deve se constituir como tribunal e julgar a conduta de Peña no exercício da Presidência”, declarou a senadora.
Yolanda publicou um vídeo em sua conta no Instagram em frente à sede do Ministério Público paraguaio. Na gravação, afirmou ter acabado de protocolar queixas contra Peña por delitos contra a administração pública.
“Santiago Peña, com o processo de impeachment, mesmo sendo destituído, não deve ir para sua casa. Deve ir para Tacumbú ou Emboscada, que é onde deve estar, como um criminoso, como um criminoso comum, como um estelionatário comum que lesou mais de 3 milhões de paraguaios e paraguaias“, disse a senadora.
Assista ao vídeo de Yolanda Paredes (2min53s):
Entenda a crise no Paraguai
Santiago Peña (Partido Colorado, direita) anunciou, nesta 5ª feira (5.nov), em seu perfil do X, a renúncia à Presidência do Paraguai depois da crise bancária provocada pelo colapso do Ueno Bank. Ele era acionista da instituição e foi alvo de pressão popular por suspeita de ter sido conivente com a quebra do banco.
Peña declarou que decidiu renunciar ao cargo para preservar a estabilidade do país e a paz social, e que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.
A Câmara dos Deputados do país aprovou, nesta 5ª feira (5.nov), a abertura de um processo de impeachment contra Peña, que renunciou na iminência da votação. O caso segue agora para avaliação do Senado.
A crise do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, levou o Banco Central do país a iniciar um procedimento de resolução da instituição e provocou a renúncia do presidente do órgão, Carlos Carvallo. A situação também deixou milhões de clientes sem acesso aos recursos depositados no banco e levou o Ministério Público a abrir uma investigação.
O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, ou seja, quase metade da população do Paraguai, que tem cerca de 7 milhões de habitantes.
Na 2ª feira (2.nov), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A medida foi tomada depois que o órgão constatou que o índice de solvência da instituição financeira havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
Segundo o BCP, a decisão foi resultado de meses de fiscalização. Em junho, a Superintendência de Bancos identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição e solicitou que as operações fossem adequadas aos limites estabelecidos pela legislação.
De acordo com um comunicado do Banco Central do Paraguai, a identificação dessas operações exigiu uma análise das condições financeiras dos empréstimos e do caminho percorrido pelos recursos. O órgão afirmou que os achados contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez do Ueno Bank e para a necessidade de constituir provisões adicionais. Eis a íntegra da nota do BCP (PDF – 28 kB).
Com a abertura do procedimento de resolução, as operações da instituição foram suspensas, e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definiam os mecanismos para a recuperação dos recursos. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também renunciou.
O Ministério Público do país ordenou a abertura de uma investigação criminal e a detenção de 8 dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.


