Geraldo Alckmin (PSB) disse, nesta 6ª feira (9.out.2026), que tanto ele quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem a investigação do áudio publicado pela revista Veja, em que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirma ter financiado um filme sobre o petista. O vice-presidente também falou em “absoluta falta de prova” depois da Procuradoria Geral da República, da Polícia Federal e dos advogados do empresário não reconhecerem depoimento com o teor relatado.
A declaração foi feita em entrevista à jornalista Joana Treptow, na rede TMC.
Eis o que disse Alckmin:
“A minha opinião, que é a opinião do presidente Lula: investigue-se. Agora, neste caso, por que a Procuradoria Geral recusou a delação? Essa delação foi recusada por absoluta falta de prova. Então, já foi recusada por absoluta falta de prova. Agora, independente desse caso, sempre a regra é: na República, ninguém está acima da lei”.
A REPORTAGEM
Segundo a Veja, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em proposta de delação apresentada à Procuradoria Geral da República que pagou R$ 30 milhões ao Instituto Lula para ajudar a financiar um filme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em troca, de acordo com a reportagem, o ex-banqueiro tentou acessar fundos de pensão controlados por petistas. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto intermediou as negociações. As informações foram publicadas nesta 6ª feira (9.out) e são do jornalista Robson Bonin.
Conforme a reportagem, a PGR não avançou com a proposta de Vorcaro. A revista Veja afirma que a Procuradoria alegou que não havia provas, já que os pagamentos ao Instituto Lula foram feitos em dinheiro vivo.
A PGR afirmou em nota que as negociações para uma colaboração de Vorcaro “foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que não houve “depoimento oral” ou “qualquer interlocução direta” do empresário com representantes da Procuradoria (leia a íntegra mais abaixo).
Em nota, a campanha de Lula se manifestou nesta 6ª feira (9.out). Disse ser “estarrecedor” que a revista publique uma reportagem com “acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”. Chamou o texto de “irresponsável” (leia a íntegra mais abaixo).
De acordo com a Veja, Vorcaro afirmou à PGR que, para que ele tivesse seu credenciamento aprovado junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ, deveria fazer um pagamento em dinheiro de “aproximadamente R$ 30 milhões para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”.
O filme é “Lula” (2024), dirigido por Oliver Stone.
A reportagem afirma que, segundo o fundador do Master, Vaccari exigiu uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos. A expectativa era que, se a operação desse certo, o PT conseguiria R$ 1 bilhão e o então banqueiro, R$ 9 bilhões.
Não há detalhes sobre se essa operação avançou ou não.
A Veja também divulgou um áudio que atribui a Vorcaro. Uma voz masculina afirma que houve um adiantamento feito por Augusto Lima para Paulo Okamotto, do Instituto Lula, e que o pagamento foi “errado”.
“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. Do Flávio [Bolsonaro] não foi porque ele pediu patrocínio”, diz a voz atribuída pela revista ao fundador do Master.
O áudio é apresentado como um arquivo obtido pela Veja. A revista, contudo, não dá detalhes sobre a data em que o áudio foi produzido, as circunstâncias em que a gravação foi feita nem se havia sido autorizada pelo fundador do Master.
Ouça o áudio (35s):
Okamotto negou ter recebido dinheiro (leia a íntegra mais abaixo).
“Em relação ao documentário ‘Lula’, de Oliver Stone, é uma iniciativa exclusiva do próprio Oliver Stone, e não do Instituto Lula. O Instituto Lula e eu nunca estivemos envolvidos na produção e na captação de recursos. Nunca recebemos recursos para a realização do filme”, declarou.
A defesa de Augusto Lima chamou as informações da reportagem de “narrativa falsa” e afirmou que são “baseadas em relatos mentirosos, falsos e delirantes, supostamente apresentados em uma proposta de delação recusada pelas autoridades” (leia a íntegra mais abaixo).
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que há uma menção ao cineasta em um diálogo entre o fundador do Master e o advogado Walfrido Warde.
Em 29 de outubro de 2022, Warde, que foi um dos entrevistados para o documentário, enviou 3 imagens a Vorcaro e a seguinte mensagem: “Filme do Oliver Stone”. O fundador do Master respondeu: “Toppp”.

As imagens são fotos de Walfrido concedendo uma entrevista para o filme.

OUTRO LADO
O Poder360 procurou a defesa de Vorcaro para perguntar se gostaria de se manifestar. Os advogados do fundador do Master disseram que não integravam sua banca quando as propostas de delação foram apresentadas e que ele não prestou novos depoimentos à Polícia Federal sobre o conteúdo da reportagem.
O Poder360 também procurou João Vaccari Neto. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Eis a íntegra da nota da campanha de Lula:
“É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova. A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário. Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa.
“Foi durante o atual governo que as instituições de controle atuaram para investigar as irregularidades, liquidar o Banco Master e levar seu controlador à prisão. Agora, surgem acusações contra as autoridades que enfrentaram suas irregularidades. Trata-se de uma tentativa de vingança que levanta uma pergunta inevitável: que benefícios Vorcaro espera obter de uma eventual mudança de governo? Vários fatos comprovam que há uma grande armação em andamento contra os interesses do povo brasileiro.
“A contradição do relato é gritante. Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como ‘patrocínio normal’, enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações. A narrativa tenta proteger Flávio Bolsonaro, citado em investigações sobre ligações e pedidos milionários ao banqueiro. Uma farsa com objetivos eleitorais.
“A própria Veja reconhece que a Procuradoria Geral da República não deu prosseguimento às acusações por falta de provas. Mesmo assim, transforma uma mentira em capa da revista.
“Não aceitaremos que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral. As medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação dessas informações.”
Eis a íntegra da nota de Paulo Okamotto, do Instituto Lula:
“Eu não conheço o senhor Daniel Vorcaro. Nunca estive e tampouco me reuni com ele. Se tivesse pedido uma reunião comigo, eu não teria aceitado, porque a fama dele já era muito ruim.
“Em relação ao documentário Lula, de Oliver Stone, essa é uma iniciativa exclusiva do próprio Oliver Stone, e não do Instituto Lula. O Instituto Lula e eu nunca estivemos envolvidos na produção e na captação de recursos. Nunca recebemos recursos para a realização do filme.
“Portanto, é totalmente infundada a matéria da revista Veja, que, mais uma vez, em período eleitoral, promove mentiras com o objetivo de beneficiar seus candidatos.”
Eis a íntegra da nota de Augusto Lima:
“A defesa de Augusto Lima rechaça e repudia veementemente as informações publicadas, baseadas em relatos mentirosos, falsos e delirantes, supostamente apresentados em uma proposta de delação recusada pelas autoridades.
“Tais informações, que deveriam ser sigilosas, não passam de uma narrativa falsa, fictícia e unilateral, sem valor probatório, utilizada apenas para lançar suspeitas sobre terceiros.
“Causa indignação a divulgação de trechos de uma suposta proposta de delação, que não podem sequer ser levados em consideração uma vez que já foram rejeitados.
“O vazamento de supostos trechos de uma colaboração reiteradamente recusada pelas autoridades constitui proceder criminoso, cuja conduta, pela sua gravidade, exige investigação rigorosa.
“A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima qualquer ato ilícito e confia que a investigação comprovará sua inocência.”
A Polícia Federal também emitiu uma nota nesta 6ª feira (9.out).
“Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a corporação.
Eis a íntegra da nota da Polícia Federal:
“Brasília/DF. A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito.
“As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa.
“Por fim, a Polícia Federal informa que recebeu, nesta 6ª feira (9.out), notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária.”
Eis a íntegra da PGR:
“A Procuradoria Geral da República esclarece que as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido.
“Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR.
“Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.
“A Procuradoria Geral da República respeita o sigilo que se impõe, por lei, ao procedimento de colaboração premiada havido.”


