A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta sexta-feira (9) a análise do VAR da partida de quinta entre Santos e Flamengo. O duelo foi polêmico e terminou empatado em 2 a 2 na Vila Belmiro, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A equipe rubro-negra abriu 2 a 0 no placar, mas o Santos foi buscar o empate, com dois pênaltis convertidos por Neymar.
O Flamengo divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira contestando as decisões de Anderson Daronco, árbitro de campo, e Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR, e afirmou que os erros tiveram influência direta no resultado.
O Flamengo questionou a marcação das duas penalidades a favor do Santos e reclamou da falta de punição ao santista Barreal por uma entrada em Carrascal, ainda no primeiro tempo de jogo.
O clube carioca também criticou a demora na análise do lance envolvendo Jorginho, que interrompeu a partida por 9 minutos e 56 segundos. O flamenguista foi expulso no lance do primeiro pênalti anotado para o Santos.
A penalidade foi marcada após Jorginho tocar a bola com a mão na disputa com Rony. Inicialmente, Daronco assinalou falta fora da área e aplicou cartão amarelo ao volante. Após a intervenção do VAR e a revisão das imagens, o árbitro mudou a decisão para pênalti e expulsou o jogador do Flamengo.
Na conversa entre Anderson Daronco e Rodolpho Toski Marques, eles demoraram para concordar se houve um “Dogso” (sigla em inglês para Denying an Obvious Goal-Scoring Opportunity, ou impedir uma oportunidade clara de gol, na tradução para o português) no lance de Jorginho.
No monitor do VAR, Daronco também pediu para rever a disputa entre Rony e Jorginho, e manteve a decisão que a falta do santista não aconteceu.
Veja o diálogo entre os árbitros:
Daronco: Não faz (falta), mesmo critério de lá (em relação à disputa Paquetá e Barreal no gol do Danilo).
Toski (VAR): Eu não vejo uma alavanca de perna, vejo contato normal de perna. Não tem falta nem em cima e nem embaixo. Eles estão disputando a bola. Não temos um “Dogso” claro porque são bolas disputadas. É factual, o contato da mão é dentro da área.
AVAR: Rodolpho (Toski), como é a mão, é um “Dogso” e sem disputa. Se usou a mão, não tem disputa.
Toski (VAR): Eles estão disputando ali, não?
AVAR: Não, ele usou a mão no chão. Não tem disputa.
Toski (VAR): Mas ele está em movimento de queda. Cai pela disputa. Pode ser um “Dogso” com disputa.
AVAR: Temos dois atacantes que poderiam fazer o gol.
Toski (VAR): Checando o “Dogso” ou não. Nós temos um contato de jogo natural aqui. Ele está em queda. A bola está parada naquele momento, não tem um jogador que joga. Uma bola que parou no braço porque um jogador está caído fruto de uma disputa anterior. Tem um braço que impede o jogador de prosseguir, mas como é dentro da área seria um “Dogso” fruto da disputa essa queda dele. Ou alguém vê um “Dogso” claro?
Assistentes concordam, e Toski avisa Daronco:
Toski (VAR): Decisão factual, é dentro da área, seria um pênalti confirmado.
Daronco: Perfeito. E o disciplinar, está ok?
Toski (VAR): Se você deu por um ataque promissor…
AVAR: Fala para ele que é um “Dogso”.
Daronco: Toski, ou tu me chama (sic.) ou não.
AVAR: Chama porque é um “Dogso”. Para ele interpretar “Dogso”.
Toski (VAR): Ataque promissor não é. Nós temos um “Dogso”. Se você deu cartão, não é um ataque promissor. Sugiro revisão por “Dogso”. Sugiro revisão porque você deu por promissor onde a situação é um “Dogso”. Você tem que analisar se tem disputa ou não.
AVAR: Ele falou que era promissor. Se para nós é “Dogso” chama.
Toski (VAR): Você vê claramente que era um “Dogso”, ele ia enfrentar o goleiro.
Após revisar o lance no monitor:
Daronco: Para mim seria uma situação de “Dogso”, perfeito.
Toski (VAR): Agora analisa se tem o ponto na mão, e ele não tem disputa para você, correto?
Daronco: Não é questão de disputa, é uma mão. Vou voltar com uma questão factual de pênalti e cartão vermelho para o jogador, é isso? Por “Dogso”.
Toski (VAR): Correto, por “Dogso”. Porque ele já está em queda e é um braço dentro da área.

