O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou na 3ª feira (29.set.2026) uma ligação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino no meio de um evento do governo federal em Belém (PA). O momento do telefonema foi transmitido ao vivo na 2ª feira (28.set) antes de sanção de um projeto.
Lula sancionou o projeto de lei que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada. Dino apresentou a proposta ainda em 2024, quando era senador pelo PSB. Depois, em fevereiro de 2024, tomou posse como ministro do STF depois de ser indicado por Lula e ter o nome aprovado pelo Senado.
Logo no início da ligação é possível ouvir Dino cumprimentando Lula e o chamando de presidente. O petista começa a falar e depois, quando pede uma manifestação do magistrado, a ligação parece cair.
“Ô, Flávio [Dino], deixa eu lhe falar uma coisa. Eu estou aqui em Belém. Vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos”, disse Lula. “Então, estou te ligando. Estou ao vivo aqui. […] Eu não queria sancionar sem falar com você”, declarou.
Assista ao momento (1min39s):
Em seu perfil no X, Flávio questionou se o magistrado segue subordinado ao presidente Lula por ter sido ministro da Justiça de 2023 a 2024.
“Ontem, Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?”, perguntou o senador.
“O próximo presidente do Brasil indicará pelo menos mais 4 ministros para o STF. Não vamos deixar que mais 4 Dinos ou 4 Moraes integrem essa instituição tão importante para a democracia. Vamos proteger o STF. Ou o Brasil vence, ou o Lula acaba com o Brasil”, disse.

ENTENDA
O petista sancionou o projeto durante visita ao complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, no bairro Umarizal, em Belém (PA). Lula conheceu a estrutura ampliada do Hospital São João de Deus, que tem serviços de alta complexidade para atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde.
Ao sancionar o texto, Lula fez referência à morte de Marcelo Dino, aos 13 anos, filho do ministro do STF. Em 2012, Marcelo morreu depois de falhas no atendimento médico em um hospital de Brasília. Teve uma crise de asma e houve demora para ser atendido. A família processou a unidade de saúde.
Segundo o governo, a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada é feita para dar segurança ao paciente e para que haja oferta de atendimento com qualidade nos serviços de saúde privada do país.
A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição, o ministro Alexandre Padilha (Saúde), o prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, acompanharam Lula durante a visita.
Assista ao evento (52min30s):



