O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, rebateu nesta 6ª feira (25.set.2026) uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a dependência dos clubes de futebol das receitas de casas de apostas. Segundo o dirigente, o Flamengo atua dentro das regras estabelecidas no país e “não tem que aprender nada”.
Em entrevista ao Poder360, Bap foi questionado sobre a afirmação de Lula de que os clubes precisam aprender a viver sem o dinheiro das bets e que não seria aceitável depender do vício de torcedores para financiar altos salários.
Assista (48s):
“Nós não fizemos nada de ilegal. Absolutamente tudo regulado, aprovado, licenças concedidas pelo governo do presidente Lula, após anos de discussão no Congresso Nacional. Então, nós não estamos fazendo nada de errado. Eu entendo que nós não temos que aprender nada. Nós temos que nos ajustar ao que seja o marco regulatório do país”, declarou.
O dirigente disse ter dúvidas de que restringir o mercado legal reduza os problemas relacionados ao vício em apostas. Segundo ele, apostadores mais frequentes poderiam migrar para plataformas ilegais, nas quais haveria menos mecanismos de controle.
“Os mais viciados são aqueles que vão exatamente procurar as casas ilegais e vão continuar apostando. Então, você não vai atacar o objetivo, em tese, que está sendo declarado, dessa forma”, afirmou.
Bap também comparou uma eventual proibição das apostas à restrição de outros produtos e disse não acreditar que impedir legalmente uma atividade seja suficiente para eliminar seu consumo.
“Você acreditar que porque você proíbe, você elimina o mal, não elimina. Ainda mais com plataformas digitais hoje em dia, onde você pode, com o telefone celular na sua mão, se logar em qualquer novo site ilegal de apostas”, disse.
IMPACTO NO FLAMENGO
Bap afirmou que o impacto das bets sobre as receitas do Flamengo é superior aos R$ 269 milhões referentes ao patrocínio-máster. Segundo ele, ao considerar placas de publicidade e patrocínios ligados aos campeonatos, o valor relacionado direta ou indiretamente ao setor chega a aproximadamente R$ 400 milhões.
“Eu entendo que, direta ou indiretamente, alguma coisa como R$ 400 milhões”, afirmou. O dirigente estimou ainda que o ecossistema do futebol brasileiro movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões relacionados às empresas de apostas.
Segundo Bap, uma retirada abrupta desses recursos também aumentaria a oferta de espaços publicitários disponíveis no futebol e reduziria o valor desses ativos. Ele disse considerar “impossível”, nos níveis atuais, substituir integralmente essas receitas no curto prazo.
POSSÍVEIS RESTRIÇÕES
O governo Lula discute mudanças nas regras para as casas de apostas on-line. O Flamengo se manifestou nesta 6ª feira (25.set) contra uma eventual proibição do setor e afirmou que a medida poderia fortalecer o mercado ilegal e reduzir recursos destinados ao esporte.
Na entrevista, Bap afirmou que mudanças nas regras devem ser discutidas pelo Congresso e cumpridas pelos clubes depois de aprovadas. Segundo ele, o problema seria uma alteração repentina em um mercado que já foi regulamentado.
“O que causa espécie é a forma como isso poderia estar sendo feito, porque ainda não foi feito. […] Sendo feito dessa forma, em cima das eleições, isso causa muita apreensão para a gente, uma insegurança jurídica enorme e impactos absolutamente materiais em todo o ecossistema do futebol”, declarou.


