Últimas

CNBB critica “politicagem” no Judiciário e diz que quem perde é o povo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cardeal dom Jaime Spengler, afirmou, nesta 4ª feira (23.set.2026), que o país enfrenta um “momento delicado, tenso e desafiador” com as eleições de 2026. Durante encontro com jornalistas em Brasília, declarou que a tensão atual atinge os Três Poderes e criticou a interferência política na Justiça.

“Eu imagino que o Poder Judiciário deveria ser o fiel da balança, no entanto, quando a politicagem entra no Judiciário, quem perde é o povo”, disse Spengler.

Ao avaliar o cenário eleitoral, o presidente da entidade disse estar preocupado com a falta de propostas objetivas e criticou candidatos que lideram as pesquisas e se ausentam de debates. Segundo Spengler, os planos de governo apresentados têm parecido “mais um selecionar, copiar e colar”. Ele declarou que a fuga dos debates prejudica o discernimento do eleitor e abre espaço para “vozes estranhas” guiadas por interesses específicos. O cardeal disse ainda que faltam elementos concretos nos discursos dos candidatos não só à chefia do Executivo, mas também às cadeiras na Câmara e no Senado.

O líder religioso defendeu o fortalecimento da consciência política e democrática na sociedade. Ele citou a frase atribuída ao ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill de que “a democracia é a pior forma de governo, exceto por todas as outras formas que já foram tentadas na história”. Spengler afirmou que é necessário respeitar as instituições, as leis, a Constituição e a população mais vulnerável.

Para o presidente, esse é o caminho ideal para que o descrédito nas instituições seja revertido. Disse que a Igreja se faz presente para promover consciência “porque, se não fizermos isso, ideologias outras podem se impor. E voltamos àquela questão do descrédito. E o descrédito, nós sabemos do passado recente da história da humanidade, quando se promoveu o descrédito das instituições, a ditadura se impôs. E a tragédia se fez”, completou.

Crítica aos penduricalhos

O 2º vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson Nóbrega, criticou o volume de privilégios e penduricalhos concedidos às autoridades no Executivo, Legislativo e Judiciário. O bispo afirmou que a estrutura funcional brasileira é muito mais onerosa do que a de países como a Suíça e nações da Escandinávia, tornando-se insustentável.

Nóbrega defendeu uma mobilização para reduzir regalias pagas com dinheiro público e lamentou a polarização ideológica que tem dividido famílias e comunidades no país. Afirmou, também, que é preciso cuidado ao examinar discursos de assessores, bispos ou pessoas que fazem parte das instituições católicas, porque posicionamentos individuais não refletem a opinião da instituição.

Por fim, o 2º vice-presidente da instituição declarou que não se pode indicar candidato, mas sim valores. Disse ser fundamental que os eleitores desenvolvam o discernimento. Segundo Nóbrega, determinados partidos focam mais na dimensão social, enquanto “outros focam mais na dimensão da ética, da família, da moral e sexual. Então sempre há margem para a flexibilidade e o discernimento”, completou.

CNBB critica “politicagem” no Judiciário e diz que quem perde é o povo — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado