Uma zona erma do Deserto do Atacama, no Chile, possui mais de 60 mil toneladas de roupas que foram descartadas por europeus, formando uma verdadeira montanha de peças.
O amontoado de roupas é tão grande que pode ser visto dos satélites do espaço, segundo informações da campanha Atacama RE-commerce, que tenta dar um destino a essas vestimentas cobrando apenas o valor do frete.
Entenda história
A principal hipótese que explica o aparecimento dessas roupas na região é a de que países da Europa reúnem peças que não são mais usadas pela população e mandam para a América do Sul com a ideia de ganhar uma segunda vida no mercado de segunda mão.
Muitas dessas roupas até encontram um dono, mas o volume que chega de contêineres para os portos do continente é tão grande que o mercado local não consegue absorver a demanda. O destino encontrado por grande parte das empresas de logística é amontoar essas peças no deserto.
A região foi escolhida por ser muito seca, o que preserva muitos dos tecidos que ficam parados no local antes de ganharem um novo destino. O problema é que a presença dessas roupas no local se torna um risco para a biodiversidade.
Investigações da ONG Ekō e do coletivo chileno Desierto Vestido identificaram peças de grife no local, como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi’s, Tommy Hilfiger e Hugo Boss. Muitas delas costumam conseguir novos donos justamente por serem de grandes marcas. Outros modelos, no entanto, enfrentam maior dificuldade para terem uma nova chance.
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), em 2024, a União Europeia é a maior exportadora mundial de roupas descartadas, representando 30% do total. O Reino Unido aparece em segundo lugar, com 16%, e os Estados Unidos fecha o pódio, com 15%.
O modelo de consumo da moda na Europa é muito rotativo, com pessoas se desfazendo das roupas sempre que há uma mudança de estação ou de linha nas marcas. Isso faz com que muitas das roupas sejam simplesmente descartadas.
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