O CEO global da Shell, Wael Sawan, afirmou que o Brasil está entre os países que saíram fortalecidos do atual choque no mercado de energia. Segundo o executivo, a capacidade de ampliar as exportações de petróleo e de recorrer aos biocombustíveis deu ao país flexibilidade para atender à demanda doméstica e, ao mesmo tempo, contribuir para o abastecimento internacional.
“Eu cito o Brasil como um desses exemplos que realmente mostrou o que um país pode fazer em um momento como este”, afirmou Sawan. A declaração foi dada na ROG.e, evento de energia organizado pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), no Rio de Janeiro.
O executivo citou as exportações brasileiras de petróleo como um dos principais fatores de resiliência. Segundo ele, o país conseguiu ampliar a oferta de óleo em um momento de restrição de fluxos internacionais, funcionando como uma fonte confiável de suprimento para o mercado global.
Sawan também destacou a política de biocombustíveis. Disse que os investimentos feitos ao longo de décadas na produção dessas fontes aumentaram a capacidade do Brasil de substituir parte do consumo de combustíveis fósseis e responder com maior flexibilidade a choques externos.
Na avaliação do CEO, essa combinação permite que o país preserve o abastecimento interno sem deixar de atuar como exportador de energia. Ele afirmou que o Brasil dispõe de “opcionalidade e flexibilidade” para responder à crise tanto em benefício do mercado doméstico quanto dos consumidores de outros países.
A avaliação foi feita em uma discussão sobre a resiliência do sistema energético global diante das restrições no estreito de Ormuz. Sawan afirmou que a crise mostrou como países com fontes diversificadas de energia e capacidade de substituir uma fonte por outra conseguem absorver melhor interrupções no suprimento.
“Acho que tudo isso significa que o Brasil tem a opcionalidade e a flexibilidade para responder, não apenas para apoiar os brasileiros, mas também para apoiar o resto do mundo na exportação de energia”, disse.
O jornalista viajou ao Rio a convite do IBP.
