João Paulo Mehl, filiado ao Partido dos Trabalhadores no Paraná e dirigente da organização não governamental Coletivo Soylocoporti, lidera o Movimento Cultura com Lula. A mobilização pede votos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não integra a campanha oficial. As informações são do jornalista Vinícius Valfré, do O Estado de S. Paulo.
O Coletivo Soylocoporti recebeu cerca de R$ 5,7 milhões de 2 ministérios desde 2023, segundo a reportagem.
O Estadão informou que os canais usados pelo movimento não constam entre os endereços da campanha comunicados ao Tribunal Superior Eleitoral nem aparecem na prestação de contas oficial.
Os organizadores declararam que a iniciativa é espontânea e voluntária. Também negaram relação com projetos financiados com dinheiro público ou com a campanha de Lula.
A assessoria eleitoral do presidente afirmou que o Movimento Cultura com Lula não faz parte da campanha oficial.
MOBILIZAÇÃO PRÓ-LULA
Segundo o Estadão, integrantes do MinC (Ministério da Cultura) participam do movimento. Márcio Tavares, secretário-executivo do ministério, atua como coordenador-geral da iniciativa. Roberta Malvão, ex-coordenadora-geral dos escritórios estaduais do MinC, também integra o grupo.
O ministério declarou que orientou os agentes públicos a respeitarem a legislação eleitoral. Negou o uso da estrutura do órgão em atividades político-eleitorais e afirmou que funcionários públicos podem participar de ações políticas em caráter pessoal.
O movimento também reúne pessoas ligadas aos Pontos de Cultura, grupos e organizações reconhecidos pelo governo por desenvolverem atividades culturais nas comunidades.
Segundo o jornal, o número de Pontos de Cultura quadruplicou no atual governo e chegou a 17.000. Em 2025, as iniciativas receberam R$ 240 milhões.
AVAL DE JANJA
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, participou de um evento virtual do movimento na 2ª feira (14.set.2026). A transmissão teve mais de 21.000 visualizações.
Durante o encontro, participantes pediram votos para Lula, sugeriram ações para convencer eleitores indecisos e criticaram a família Bolsonaro.
Janja incentivou os apoiadores a conversarem com pessoas ainda indecisas. Também afirmou que a volta da família Bolsonaro ao poder representaria retrocessos para a cultura, a saúde e a educação.
“É o momento de a gente conversar com as pessoas, conversar com o vizinho, com o primo, com o colega do trabalho que não tá convencido, que ainda está indeciso, que ainda não entendeu o que está em jogo no País. Não está em jogo só uma eleição, mas o futuro que a gente quer para o nosso país, para os filhos, para os netos”, disse Janja no evento.
“A volta da família Bolsonaro ao poder significa trevas, escuridão, fim da cultura, da saúde, da educação. A gente não pode voltar ao tempo da barbárie. Cada um e cada uma que está aqui nessa sala tem um papel importante nisso”, acrescentou a primeira-dama.
RECURSOS FEDERAIS
Segundo o Estadão, o Coletivo Soylocoporti recebeu desde 2023 cerca de R$ 3,4 milhões do MinC e R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades. Os valores somam aproximadamente R$ 5,7 milhões.
O MinC selecionou a organização para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná, responsável por promover ações e atividades de formação cultural.
Os organizadores negam que os recursos públicos recebidos pela ONG sejam usados no Movimento Cultura com Lula.
REDE LIVRE
O site da mobilização está registrado em nome de Mehl e Michel Fonseca Ferreira, também integrante do Comitê de Cultura do Paraná.
Mehl coordena ainda a Rede Livre, grupo de sites, blogs e influenciadores alinhados ao governo. A rede mantém campanhas para captar doações privadas.
Embora registrado em nome de 2 pessoas físicas, o site do movimento usa elementos da infraestrutura digital da Rede Livre. O Estadão identificou referências à rede no código-fonte e em endereços internos da página.
REGRA ELEITORAL
A resolução 23.610 de 2019, atualizada para as eleições de 2026, permite manifestações eleitorais espontâneas em canais de pessoas físicas, inclusive mobilizações coordenadas em rede. Esses endereços não precisam ser comunicados à Justiça Eleitoral como canais oficiais de campanha.
A norma, porém, proíbe propaganda eleitoral, mesmo gratuita, em sites ou perfis de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos.
OUTRO LADO
Ao Estadão, Mehl afirmou que “é direito de todo brasileiro atuar politicamente”. Disse que o movimento é aberto, voluntário e não tem vínculo institucional nem remuneração.
O dirigente declarou ainda que a Rede Livre é um coletivo de ativistas voltado à liberdade de expressão e à democratização do conhecimento.
