O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes foi citado em 72,8% das publicações sobre o caso Master em 15 de setembro de 2026. Na data, o tribunal suspendeu o julgamento sobre as relações do ministro com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, depois de pedido de vista de Flávio Dino. Os dados constam em estudo realizado pelo DSC LAB, laboratório de dados, comunicação e comportamento digital da Descomplica. Eis a íntegra (PDF – 7 MB).
Moraes foi citado em 12.952 publicações no Instagram e no Facebook referentes a 13 eixos do “caso Vorcaro“. O volume representa alta de 529% em relação à 3ª feira anterior (8.set). Das menções ao ministro, 55% continham tom crítico, classificado pelo estudo como “exposição adversa“.
A maior parte dos questionamentos se refere a suspeitas de irregularidades em contratos de prestação de serviços com o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
O ministro André Mendonça ficou na 2ª posição em volume de menções, com 7.652 publicações (43% das menções do dia). Desse total, 19,9% continham críticas diretas ao ministro.
TEMAS DO DIA
Durante a sessão do Plenário do STF, os temas debatidos nas redes sociais se concentraram na atuação dos ministros e nos desdobramentos das apurações do caso.
A discussão sobre a relatoria, o sigilo e o trâmite conduzido por Mendonça foi o assunto de maior alcance, presente em 8.112 posts (45,6% de todo o universo do dia).
Eis outros temas:
- mensagens e minutas – publicações com menções a contatos, mensagens e minutas vinculadas a Moraes somaram 6.291 posts (35,3% de todo o universo de publicações do dia);
- pedidos de investigação e afastamento – posts que solicitavam investigação, afastamento ou impeachment do ministro totalizaram 710 publicações (4,0% do total diário).
Pressões por afastamento, impeachment ou prisão de Moraes responderam por 710 posts (4,0%), enquanto o debate sobre a entrega de dados telefônicos e o acesso por gabinetes totalizou 399 publicações (2,2%).
LULA E FLÁVIO
No dia do julgamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 692 menções nas 2 redes da Meta, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contabilizou 407. As publicações contrárias ao presidente se concentraram em críticas à atuação da Polícia Federal e em cobranças por medidas do Poder Executivo.
No acumulado de 15 dias, Flávio Bolsonaro liderou em citações, com 14.811, ante 13.002 de Lula. O senador também registrou o maior índice de desgaste de imagem: em uma escala de 0 a 100, atingiu 80,8 na medição de reputação negativa, impulsionada por críticas dirigidas ao STF e repercussões sobre o filme Dark Horse. A nota de Lula foi 68,7.
METODOLOGIA
O levantamento da DSC LAB analisou 153.485 publicações veiculadas entre 31 de agosto e 16 de setembro de 2026. A amostragem considerou posts que mencionaram nominalmente atores, órgãos ou eixos temáticos ligados ao caso do Banco Master, divididos em 13 eixos principais.
A análise mapeou 20.090 contas ativas no Facebook e no Instagram. A escolha pelas plataformas foi justificada por concentrarem a maior parcela do público brasileiro. No total, as publicações acumularam 274 milhões de interações e 4,74 bilhões de visualizações.
Eis a divisão por plataforma:
- Instagram –76.754 publicações de 12.409 contas publicadoras;
- Facebook –76.731 publicações de 7.681 contas publicadoras.
JULGAMENTO DE MORAES
O plenário do Supremo passou o dia inteiro discutindo se deveria ou não fazer o julgamento de Moraes na 3ª feira (15.set). Antes de o julgamento começar, o ministro decano (mais antigo da Corte), Gilmar Mendes, propôs a análise de uma questão de ordem. Argumentou que havia procedimentos errados adotados pelo colega André Mendonça e que seria necessário julgar o caso de Moraes na semana que vem, quando também seria analisado um pedido de suspeição do próprio Mendonça.
Eis um resumo do julgamento do STF desta 3ª feira (15.set):
- abertura com Fachin – a sessão foi aberta às 10h35. O presidente, ministro Edson Fachin, disse que divergências não podem ser confundidas com confronto pessoal, que o Supremo vive um período difícil e que não se julgam pessoas, mas fatos. Declarou que a decisão será do plenário;
- Nunes Marques – declarou-se impedido de participar de um julgamento que pode influenciar as eleições. O ministro preside o Tribunal Superior Eleitoral. O presidente da Corte, Edson Fachin, e André Mendonça foram informados antes. Logo depois de sua fala, ele pediu para deixar o plenário e foi embora;
- Dias Toffoli – declarou-se suspeito e também não votará. Alegou foro íntimo e que, assim, ajuda a preservar o Supremo no caso de “eventuais especulações”. Ao contrário de Nunes Marques, informou que vai seguir no plenário caso precise se manifestar se achar que é necessário;
- Dino X Fachin – o ministro e o presidente da Corte se desentenderam sobre quem autoriza apartes no STF, se é o relator ou o presidente. Fachin chegou a elevar o tom de voz, mas depois os 2 entraram em um acordo e até se abraçaram após a sessão ser suspensa. Dino defendeu também que o chefe da Corte deixe a relatoria do caso Moraes-Vorcaro;
- bate-boca 1 – em sua 1ª manifestação no plenário, Alexandre de Moraes disse ter testemunhas de que ele foi investigado pela Polícia Federal a mando de André Mendonça, que reagiu: “É mentira”. Os 2 bateram boca. Moraes declarou que o colega de toga “está a serviço de um grupo político que quis dar golpe”;
- bate-boca 2 – após a manifestação de Moraes, o ministro Gilmar Mendes pediu a palavra. Fez duras críticas a Mendonça. O decano afirmou ser “evidente” que o relator do caso Master conduziu o inquérito envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro de forma enviesada, que ele não merece respeito e sugeriu que ele é um “vazador-geral da República“;
- afastamento na PF – Gilmar chamou a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues de “vexame” e “falta de noção”;
- jornalistas no plenário – depois de informar que não permitiria a presença de profissionais de veículos de mídia no local, o STF decidiu recuar, mas proibiu o uso de celulares e de computadores portáteis no plenário –na área externa não houve restrições do tipo;
- manifestação na Esplanada – o Novo promoveu um ato contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Moraes. O candidato do partido à Presidência, Romeu Zema, participou. Defendeu uma investigação contra Moraes e disse que há mais “frutas podres” na Corte.
Assista à íntegra da sessão (7h50min):


